Idas e Vinhas Wine Club

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Enocuriosos... Viñas de Chile – Cavas del Valle

Idas e Vinhas

Como enocuriosos que somos, ficamos com certo gosto de “quero mais” assim que retornamos de nossa primeira viagem ao Chile. Havíamos visitado, naquela ocasião, apenas 6 vinícolas, mas com esta pequena amostra foi possível perceber que este simpático país poderia contribuir (e muito) para nossas aventuras enológicas e ratificar o gosto por um bom vinho e por uma bela visita guiada. Pois bem, não havia por que esperar melhor oportunidade e, transcorridos apenas 6 meses, retornávamos aos encantos chilenos.

É possível que vocês se perguntem: “– ora, os Enocuriosos não começaram há pouco tempo nova série sobre vinícolas italianas?” Sim, é vero. O ponto é que viajamos ao Chile pela segunda vez antes de nossa ida (a vinhas) ao velho mundo. Aí pensamos que poderia ser interessante embaralhar tudo e postar um pouco de cada e intercalar as postagens para retratar os dois mundos sem se preocupar em fechar uma porta antes de abrir a outra.

Voltamos ao Chile em março de 2015 para, em 9 dias, conhecer um pouco mais do país e das regiões produtoras. Escolhemos como início o Valle del Elqui, localizado a aproximadamente 470 quilômetros ao norte de Santiago. Trata-se de uma região semiárida e mais conhecida pela Ruta de las Estrellas – roteiro turístico com diversos observatórios astronômicos e um céu de cair o queixo. (Esta região tornou-se célebre em função da pouca umidade do ar  o que diminui a distorção das imagens vistas através das lentes de aumento macroscópicas  e também porque suas montanhas são boas barreiras à iluminação artificial proveniente das cidades – que contribui para atrapalhar a observação de corpos celestes).

Descobrimos que o Vale do Elqui é também conhecido pela produção de pisco – um tipo de bebida destilada feita a partir da uva (vários subtipos da moscatel e algumas outras espécies tal como Pedro Jiménez e Torontel – isso mesmo, a Torrontés, da busca incessante do Alexandre!). O vale é coberto de parreirais em um volume espantoso para um território quase desértico. O segredo é a existência de grandes represas que ajudam a reter a água de alguns rios e afluentes e assim prover todo o recurso hídrico para sustentar o desenvolvimento da região. Visitamos o Vale do Elqui no verão – que é o período sem chuvas por lá e, por isso, havia algumas restrições quanto ao consumo de água pois as represas estavam com o estoque muito abaixo do limite máximo (como pode ser observado abaixo).

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Duas paisagens: mar de parreiras e reservatório em baixa.

O vale é conhecido pela qualidade de sua bebida típica (o pisco) e também pelos passeios às pisquerias. Como não somos “piscuriosos”, começamos a buscar por viñas na região, pois já havíamos escutado algo sobre a existência de vinhedos de altitude nesta parte do Chile. Realmente não há muitas bodegas a visitar embora haja produção de vitis vinifera para alguns famosos produtores de vinhos da região central do país. Encontramos 3 vinícolas com bodegas instaladas dentro do vale e apenas uma delas aceitava visitantes no período de nossa viagem (estávamos em plena vendimia). Esta pequena bodega é nossa estrela de hoje: a Cavas del Valle.

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A Cavas del Valle se encontra a uma distância considerável de Santiago e por isso optamos por voar até a aprazível cidade de La Serena e de lá alugamos um carro – já que não há transporte público tão frequente assim para o Vale. São apenas 90 quilômetros a partir do aeroporto seguindo a Ruta 41 até Rivadavia e depois a Ruta 485 até o destino final. A viña fica entre os distritos de Paihuano e Monte Grande.

Para visitar esta bodega não é necessário fazer reserva – a vinícola recebe visitantes em todos os dias da semana e apenas para grupos a partir de 10 pessoas é aconselhável um contato prévio. Não há cobrança de ingresso, pois a visita é bastante simples, tal como a vinícola. O foco é a produção do vinho e a manutenção de um estilo sóbrio, simples e natural. Aliás, é importante destacar que toda a produção é de vinhos orgânicos.

Como não há esquema de agendamento, basta que o visitante se apresente para que tenha início o passeio. Os vinhedos não são visitados e tudo se resume a conhecer os diversos ambientes de um grande barracão que comporta o espaço para degustações, a loja, a sala de processamento do vinho (com todo o maquinário) e a sala de barricas. Como a produção é muito pequena, o engarrafamento não é automatizado e a rotulagem e o tamponamento são totalmente manuais – não deixe de ver as fotos do processo produtivo no sítio virtual da viña. Em nossa visita não tivemos a sorte de ver todo o processamento, pois a colheita ainda não havia ocorrido.

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Sala de produção
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O vinho a descansar
Ao fim da visita há uma descompromissada degustação em um ambiente externo que permite a visão para as lindíssimas montanhas que guarnecem o vale.

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É importante destacar que a simplicidade da degustação não está à altura da qualidade da produção: foram servidos quatro vinhos – um varietal de Moscatel Rosada – Rosa Pastilla, um moscatel de colheita tardia – Cosecha Otoñal Moscatel e dois tintos – o Syrah Reserva e o Syrah Gran Reserva. Com exceção do “late harvest” os vinhos mostraram uma identidade própria, diferente do padrão chileno. Gostaríamos de ter provado também o Alto del Silencio mas como a produção deste ícone é limitadíssima ele não faz parte das degustações. Assim sendo, antes de ir embora, fizemos a tradicional visita à “lojinha” e compramos nosso exemplar do Alto del Silencio 2011 por um preço bastante acessível – é claro que não aguardamos sequer um mês para desarrolhar e nos deliciar com o ícone da casa.

É "mais passeio" ou é "mais vinho"?

É mais vinho. A visita, embora simpática e simples, não chega a ser um passeio turístico (e nem pretende sê-lo). Ainda assim, consideramos um bom ponto de parada no Vale do Elqui, pois lá é possível fugir um pouco do script das visitas guiadas e até emendar uma conversa com o pessoal da bodega – afinal, o tempo transcorre de forma diferente quando não há horário marcado e duração do tour pré-determinada. Caso não tenha muito tempo para conversa, visite mesmo assim, pois o ponto forte é, sem dúvida, o vinho. Toda a produção é orgânica, com excelentes exemplares de Syrah e em tiragem bastante reduzida, e não é possível encontra-los em outro lugar – não há importadoras ou distribuidoras credenciadas justamente em função da baixa produção.

Nossa viagem ao Chile estava apenas começando e já tínhamos 3 garrafas na bagagem!

¡Salud!

Enocuriosos
*fotografias de Dagô e Simone.

2 comentários:

  1. Eu e minha esposa passamos neste mesmo dia e degustamos os vinhos. Compramos algumas garrafas, inclusive o Alto del Silencio. Posso garantir que bate o famoso Don Melchor, e por bem menos dinheiro. Pretendo voltar só para comprar o Alto del Silencio.

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    1. Que legal! Também gostamos muito do Alto del Silencio e também pretendemos voltar em outra ocasião para comprar mais - e, claro, aproveitar mais daquela região toda, que é encantadora!

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