Idas e Vinhas Wine Club

domingo, 15 de abril de 2012

Degustação: Espanha em 3 atos



Tempranillo
Uva da casta Tempranillo
Na última terça feira (10 de abril) ocorreu nosso encontro quinzenal de desgustação na ABS/Rio. Como de praxe, nosso orientador e wine guru Roberto Rodrigues preparou-nos uma valiosa experiência. A degustação é feita às cegas, e ao final o aprendizado acontece de foma lúdica, as impressões sensoriais experimentadas refletidas em conhecimento e cultura.


O objetivo foi apresentar ao grupo 3 tintos secos espanhóis de diferentes regiões, complexidade variada e em estágios de evolução distintos. A característica comum é a predominância da uva símbolo da Espanha, a Tempranillo. Essa casta confere aos vinhos aromas de folhas de tabaco, especiarias, couro, e algumas vezes frutas como framboesa. Sua cor carregada confere estrutura para que os vinhos possam envelhecer bem. O carvalho das barricas influencia bastante o aroma da tempranillo, podendo sobressair tanto quanto os demais.

Vamos à degustação! Ao chegar, somos recebidos com espumante. O exemplar dessa noite foi o rosé brut Maestrale produzido na serra catarinense pela Vinícola Sanjo, comprovando a vocação do sul do país.

O primeiro vinho degustado foi o Pardina 2005, produzido pela Bodegas Victoria, localizada na denominação de origem (DO) Cariñena, na região de Zaragoza (nordeste da Espanha). É o vinho mais simples da vinícola, passando apenas 6 meses em barricas de carvalho francês, sendo chamado vino joven.

O segundo vinho da degustação foi o Ontañon Crianza 2004, também o rótulo mais simples que a Bodegas Ontañon produz na célebre denominação de Rioja (ao norte da Espanha). O vinho de crianza deve passar em barricas de carvalho por um mínimo de 12 meses.

O terceiro vinho foi o El Picón 2004, o vinho top da bodega Pago de Los Capellanes, localizada na esplêndida região DO de Ribera del Duero (ao norte, no vale do Rio Douro). Esse vinho 100% Tempranillo (de clones da finca El Picón) permanece 26 meses em barricas de carvalho francês. São produzidas apenas 3000 garrafas a cada safra.

Notas de degustação:
Vinho 1: Pardina 2005 DO Cariñena, Bodegas Victoria, Espanha.
Pardina
Pardina
70% Tempranillo, 20% Syrah, 10% Cabernet Sauvignon

Aspecto: cor vermelho granada escuro, indicando um vinho já maduro. Opaco, cor brilhante e muito boa.
Aromas: uma mistura interessante de aromas primários (violeta, morango, groselha, ameixa e o tabaco típico da tempranillo), secundários (figo em compota), e terciários (baunilha) sugeriu um tempo curto de passagem em madeira.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas, com pouca madeira e ainda certa intensidade de frutas frescas. Consideramos finos, intensos e persistentes. O teor de álcool (13,5%), embora não muito alto, foi percebido com certa intensidade, e conferiu um bom corpo.
Seco, com boa acidez e taninos equilibrados, termina bem, com aromas de boca também finos, intensos e persistentes, deixando a boca enxuta.

Um vinho maduro (notadamente pela cor) que não foi produzido para guarda. Ótimo exemplar para um vinho do dia a dia.

Nota média do grupo: 81,8 (bom, um vinho sólido e bem feito).
Preço: R$ 58,80


Vinho 2. Ontañon Crianza 2004, DO Rioja, Bodegas Ontañon.
Ontanõn Crianza
Ontañon Crianza
90% Tempranillo/10% Grenache

Aspecto: bem semelhante ao Pardina, de cor vermelho granada escuro, indicando um vinho já maduro. Mais opaco, cor brilhante e muito boa.
Aromas: embora tenha apresentado ainda aromas primários (violeta, ameixa e frutas vermelhas, pimenta) e secundários (figo e ameixa secos) predominaram os aromas terciários de café, baunilha e caramelo, indicando mais tempo em madeira e maior evolução que o anterior.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas, com destaque para a pimenta. Consideramos mais finos, intensos e persistentes que o anterior. Com 13% de teor alcoólico e taninos um pouco mais acentuados mas ainda assim equilibrados, é um vinho encorpado e com estrutura superior ao anterior. Seco, bastante equilibrado, com boa acidez, termina bem, com aromas de boca muito finos, intensos e persistentes, deixando a boca enxuta.

Um vinho maduro (notadamente pela cor) que embora tenha certa estrutura, não evoluirá com mais tempo de guarda. Ótimo exemplar para um vinho do dia a dia.

Nota média do grupo: 87 (muito bom, um vinho com qualidades especiais).
Preço: R$ 68,00

Vinho 3. El Picón 2004 DO Ribera del Duero, Bodegas Pago de Los Capellanes, Espanha.
Pago de Los Capellanes
Pago de Los Capellanes
100% Tempranillo

Aspecto: cor vermelho rubi muito escuro, sem reflexos, indicando um vinho mais jovem ou, como se comprovou depois, um vinho com muita estrutura e potencial de guarda. Muito opaco, cor brilhante e muito boa. O ano do vinho, 2004, confirmou a impressão de que se trata um grande vinho.
Aromas: embora a cor sugerisse um vinho jovem, os aromas primários de violeta, ameixa e pimenta não se destacaram tanto quanto os aromas secundários de geléia, ameixa seca e uva passa e os excepcionais aromas terciários de café, amêndoa torrada, caramelo, baunilha e cinzas. Nesse momento, estávamos certos de estar degustando um vinho superior.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas, que consideramos muito finos, muito intensos e muito persistentes. O alto teor alcóolico de 14,5% se opôs muito bem aos taninos bastante presentes, conferindo alto equilíbrio ao vinho. Seco, muitíssimo equilibrado, com boa acidez, termina bem, com aromas de boca muito finos, muito intensos e muito persistentes, deixando a boca enxuta.

Um vinho pronto para beber, mas que pela estrutura e equilíbrio, pode evoluir por mais 30 anos. Vinho para grandes ocasiões! De acordo com nosso orientador, um dos grandes vinhos espanhóis e ainda jovem apesar de já ter 7 anos.

Nota média do grupo: 93 (Excepcional, um vinho de caráter e estilo superiores.)
Preço: R$ 1.050,00
Espanha em 3 atos
Espanha em três atos

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