Idas e Vinhas Wine Club

domingo, 15 de abril de 2012

Notícias da enosfera: Mais um round do escândalo da The Wine Advocate


Robert Parker
Robert Parker
É da natureza humana classificar e conferir notas a tudo. Parece que não entendemos aquilo que não conseguimos medir.

Por isso, um sistema que orienta e influencia as opções de compra de vinho de milhões de consumidores (sommeliers, enófilos ou apenas apreciadores) é o da classificação e pontuação de vinhos.


Centenas de blogs se dedicam a publicar notas de degustação (incluindo nosso blog récem-nascido), e experts como Jancis Robinson e Robert Parker se tornaram celebridades. Mas a imparcialidade desse sistema foi posta em dúvida quando em Dezembro de 2011 um dos críticos da The Wine Advocate (de propriedade de Parker), Jay Miller, foi acusado de receber dinheiro em troca de boas notas de vinhos espanhóis.

No último dia 12 Robert Parker fez mais um movimento em sua defesa, liberando um relatório com as investigações feitas pela empresa Cozen O'Connor sobre o caso Jay Miller.

Parker publicou o relatório em área restrita a assinantes da The Wine Advocate, acrescido da declaração: "Integridade, credibilidade e independência são os pilares do nosso negócio, e serão mantidos custe o que custar", escreveu ele.

Idas e vinhas...conseguiu visualizar um extrato do relatório (veja aqui), o qual declara que a investigação feita pela empresa não revelou "nenhuma evidência de desonestidade por parte da The Wine Academy of Spain (TWAS)", que coordenava as visitas às vinícolas, eventos particulares e as degustações espanholas; e que Jay Miller não recebia nenhum bem ou pagamento pelas visitas, degustações e avaliações".

O relatório, porém, aponta que a TWAS "turva as linhas entre as degustações para a classificação na The Wine Advocate e eventos privados patrocinados pela TWAS".

O relatório da Cozen O'Connor elege uma causa no mínimo curiosa para o “mal entendido”: o fato de Jay Miller não dominar a língua espanhola, o que não o deixava totalmente a par do que ocorria nos eventos dos quais participava. (Nota do Idas e vinhas...: ah, então está explicado...)

A Cozen O´Connor, em suas considerações finais, recomenda fortemente algumas medidas a Parker:
1) rompimento de relações com a TWAS e seu representante Pancho Campo;
2) adoção de novas regras sobre a participação de seus críticos em eventos particulares;
3) revisão das normas para escritores da The Wine Advocate;
4) modificar os termos de compromisso dos críticos autônomos contratados;
5) retirada de qualquer publicação de notas liberadas por Jay Miller para vinhos espanhóis desde 30 de junho de 2011;
6) manutenção da prática de supervisionar ativamente as críticas emitidas;
7) exigência de maior detalhamento sobre as notas de despesa e reembolso;
8) proibição de que seus contratados conduzam eventos particulares quando estiverem viajando pela The Wine Advocate;
9) cooperação com a investigação paralela que a International Masters of Wine está conduzindo sobre os fatos.

Embora no relatório conste que Jay Miller deixou a The Wine Advocate em Janeiro de 2012, consultamos o site hoje e Jay ainda aparece como crítico.


Jay Miller


Fontes consultadas para esse post:

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