Idas e Vinhas Wine Club

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Onde está o Grand Cru?

Pichón-Longueville

As diferenças entre os vinhos dos chamados Velho e Novo Mundo são tema de muitos artigos e acalorados debates entre os enófilos. No entanto, percebe-se que até mesmo o mais experiente sommelier pode cometer o engano e perceber, ao revelar o rótulo ao término de uma degustação às cegas, que o complexo, estruturado e elegante Cabernet Sauvignon não é um Grand Cru Classé, e sim um tinto do Novo Mundo, que tem no Chile um dos seus expoentes.

Muitas são as questões que levaram ao que hoje chamamos mercado globalizado do vinho. Espanha e Portugal começam a produzir tintos mais amadeirados para agradar o paladar americano, e casas como Baron Philippe de Rothschild e Rothschild-Lafite se associam a produtores chilenos (Conha Y Toro) e argentinos (Catena) para expandir seus negócios. Do outro lado, vinícolas do Novo Mundo aprimoram suas técnicas e começam a produzir tintos tão complexos e lonjevos quanto um Bordeaux Gran Cru Classé.
Em uma degustação às cegas promovida pela ABS-RJ (Associação Brasileira de Sommeliers) comandada pelo Prof. Roberto Rodrigues, foram degustados 07 vinhos excepcionais, de corte e estrutura similares, para que descobríssemos qual era o Gran Cru Classé – é claro que se esperava que fosse o campeão da degustação. Realmente, todos os vinhos eram soberbos, e, após dadas as notas, escolhido o campeão e revelados os rótulos, surpresa! A estrela de Bordeaux – o Gran Cru Classé Pichón-Longueville Comtesse de Lalande 2007 ficou em 3º lugar, em 2º ficou o californiano Caymus e o campeão foi o chileno Almaviva 2007, produzido nos melhores vinhedos da Concha Y Toro em associação com a Baron Philippe de Rothschild.
Notas e classificação à parte, foi uma oportunidade única de degustar excelentes vinhos, uma experiência lúdica e memorável para qualquer enófilo.

Enocultura:
O Gran Cru Classé Pichón-Longueville Comtesse de Lalande é produzido pela tradicional casa Pichón-Longueville em Bordeaux, na subregião Pauillac. Segue o corte específico da região, tendo a safra de 2007 58% de Cabernet Sauvignon, 36% de Merlot, 2% de Cabernet Franc e 4% de Petit Verdot. Os vinhos do Pauillac estão entre os mais longevos e atraentes do mundo. Seus vinhos têm suavidade mesmo quando jovens, e, após o envelhecimento, desenvolvem camadas de sabores frutados e etéreos que não são encontrados em nenhuma outra região.