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sexta-feira, 22 de junho de 2012

A força do café gourmet brasileiro


O café brasileiro enfrenta forte concorrência internacional, mas o investimento em tecnologia vem dando força a uma linha de cafés especiais que vêm estimulando o mercado nacional. Exemplos disso são as redes de cafeterias Armazém do Café com excelentes blends e varietais, a qualidade do café Braúna, entre outros.
Mas nada como ter o nosso café como parte do sucesso que a marca Nespresso alcançou. Quando compramos nossa máquina, no final de 2008, a loja de Ipanema tinha pouco movimento, e agora aos sábados as filas são grandes e a rede já conta com uma loja no Barra Shopping e várias em São Paulo, além de Brasília e Campinas (veja aqui a relação completa).


A marca lança duas vezes ao ano edições especiais limitadas, que são tão aguardadas como o lançamento de filmes blockbusters. Mas pela primeira vez a Nespresso teve que relançar uma edição limitada, o Kazaar, tamanha a comoção dos consumidores. E o mais interessante é que o blend tão cobiçado é feito a partir de grãos considerados “menos nobres” de Coffea Canephora, ou conilon.
Infelizmente o Kazaar não está mais disponível, mas ainda é possível adquirir no e-Bay, e há aqueles que fizeram um grande estoque para consumo pessoal (nós ainda temos alguns sleeves!). Há também um perfil do facebook dedicado ao Kazaar, quem sabe a Nespresso não o coloca como item regular de seu portfólio?

Nespresso Kazaar
Abaixo reproduzimos uma interessante matéria intitulada “Outros Grãos” publicada na revista Gula, edição 229, por Luciana Mastrorosa.

  “No começo do ano, a Suíça Nespresso chamou a atenção ao relancar o Kazaar, um de seus cafés "limited edition". Foi a primeira vez que isso aconteceu na história da marca e o motivo foi um só: o Kazaar voltou a pedido do público. Explico: em 2010, quando foi apresentada pela primeira vez, a bebida mostrou-se um fenômeno mundial: esgotou ern quatro semanas, em vez das 11 habituais para outras de edição limitada. De lá para cá, os consumidores, cativados pela potência do café (que quebrou os paradigmas da própria Nespresso, atingindo nível 12 de intensidade em vez dos 10 convencionais), entraram em contato com a companhia pedindo o retorno desse blend especial. Até ai, nada de mais, já que é relativamente normal que o público se encante por um ou outro produto de vez em quando.

Conilon Capixaba Kazaar
Conilon Capixaba
O que é realmente curioso nessa história é que o Kazaar só tem essa incrível intensidade, corpo e amargor — sem aspereza, diga-se — graças a sua fórmula peculiar: a maior parte do blend é composta por cafés da espécie Coffea canephora, popularmente conhecidos como robusta e conilon, variedades em geral consideradas de qualidade inferior em relação aos arábicas (Coffea arabica). E, aqui, mais uma curiosidade: o conilon especial usado no Kazaar é brasileiro, do Espirito Santo, estado em que, não por acaso, empresas como a Conilon Brasil (www.conilonbrasil.com.br) vem desenvolvendo projetos que buscam mudar a imagem dessa variedade. Esse tipo de trabalho é fundamental já que, infelizmente, a maioria dos robustas e conilons brasileiros ainda é tratada sem muito preparo e torrada à exaustão, resultando em bebidas de qualidade duvidosa (ou, por que não dizer, ruins).

No caso do Kazaar, somam-se ainda um robusta guatemalteco e uma ínfima parte de arábica, também brasileiro, do Cerrado, para suavizar ligeiramente a potência dos demais. Usando a técnica conhecida como "split roasting", a marca consegue torrar os grãos separadamente, de modo a extrair apenas as melhores características de cada um.
Café Conilon
Café Conilon
O sucesso da bebida prova que nem só os arábicas resultam em cafés especiais agradáveis na xícara. E claro que, comparativamente, os grãos dessa variedade tem delicadeza e elegância próprias — desde que respeitados os cuidados corn o grão, do plantio à torra e com a extração. E, em geral, os arábicas são mais leves, aromáticos (cítricos, achocolatados, florais) e naturalmente doces. Já os canephoras tendem a ser mais amargos, com menos aromas e grande adstringência e corpo, o que os torna cafés apropriados para blends que queiram destacar força, potência e cafeína. Quem prefere delicadeza, acidez agradável e variedade de aromas, vai continuar escolhendo os arábicas. Mas o exemplo do Kazaar .... abre um mar de possibilidades para os amantes de bebidas intensas e de personalidade forte.”

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