Idas e Vinhas Wine Club

domingo, 8 de julho de 2012

Vinhos do Sul da França – Languedoc-Roussillon







Mapa Sul da França (Languedoc-Roussillon)

Céu azul, sol ofuscante, ciprestes, pinheiros e oliveiras que se curvam à força do vento Mistral, terreno rochoso e pequenas vilas, a imagem idílica e tradicional do Sul da França continua a ser verdadeira. Estendendo-se ao longo de toda a costa Mediterrânea, das fronteiras com a Itália e com a Espanha, a área é também uma enorme região vinícola. Sozinho, o Languedoc-Roussillon representa um terço da área de vinhedos do país.


O vinho tinto é responsável por quase 90% da produção de vinhos na região. Quase todo o vinho tinto é produzido com cinco variedades clássicas, e as regras AOC de modo geral exigem que o corte inclua todas elas (Carignan, Sinsault, Grenache, Syrah e Mourvèdre).

A classificação de vin de pays flexibilizou as rigorosas normas das denominações, permitindo que variedades de outras regiões, como Merlot e Cabernet Sauvignon, sejam plantadas. O resultado são vinhos varietais de bom preço, muitos deles rotulados como Vin de Pays d’Oc.

Embora a história da produção de vinhos remonte há 2000 anos, quando gregos, fenícios e mais tarde os romanos estabeleceram suas colônias no Languedoc para produzir vinhos e azeite, a vinicultura da região só se modernizou a partir das décadas de 1960 e 1970, quando os produtores do Languedoc passaram a reconhecer a necessidade de substituir o produto barato, de baixa qualidade e produzido em massa que deu fama duvidosa à região dos vinhos de qualidade. Foram plantadas grande quantidades de vinhas novas da cepa então desconhecida Carignan, e, com investimento crescente e modernas técnicas de vinificação as denominações do Languedoc-Roussillon, especialmente Coteaux du Languedoc, hoje produzem alguns dos vinhos jovens considerados os mais interessantes da França. O sucesso fez com que hoje produtores da Califórnia, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul venham comprando vinhedos no Languedoc devido ao terroir favorável ao plantio das vinhas.

Languedoc-Roussillon - Minervois
Minervois
A região Languedoc-Roussillon produz uma vasta gama de vinhos, incluindo brancos, tintos, rosés, espumantes e vinhos fortificados naturalmente doces. Com o seu carácter distinto, marcado pelo terroir e o clima excepcionalmente ensolarado, os vinhos do Languedoc-Roussillon notadamente refletem o terroir no qual são produzidos. Representando cerca de 30 denominações, os vinhos do Sul da França têm em comum os fatos de terem preços acessíveis e serem fiéis às suas características, sendo, portanto, inimitáveis.

As castas Grenache, Syrah, Merlot, Cinsaut, Mourvedre, Sauvignon, Chardonnay e Viognier são usadas ​​para produção de vinho junto com castas tradicionais, como a Chenin Blanc e Mauzac. O Languedoc tornou-se um respeitado produtor de vinhos de qualidade. Como nos tempos históricos, a produção de vinhos doces, como o Muscat de Lunel e Rivesaltes continua ao longo das planícies costeiras

A região Languedoc-Roussillon produz principalmente vinhos tintos, uma boa parte é "Vin de Table" (mais simples e sem indicação de origem) mas a maioria é "Vin de Pays".

Classificação dos vinhos:
Encorpado, vinho tinto (Corbières, Saint Chinian)
Médio corpo, vinho tinto (Costières)
Rosé leve e seco (Languedoc, Roussillon)
Vinho branco seco (Costières, Languedoc, Minervois)
Vinho tinto doce (Banyuls, Carthagène, Maury)
Vinho branco doce (Muscat)
Vinho branco espumante (Limoux)

Clima no Languedoc

O clima no Languedoc é mediterrâneo. Os verões são quentes e secos, os invernos são chuvosos e as temperaturas na primavera e no outono são moderadas.

Cercado por montanhas e pelo mar Mediterrâneo, o Languedoc é uma das regiões da França onde os ventos são mais frequentes. Como dizem os moradores da região, “É a terra do vento”. No Languedoc, a área onde mais venta é ao longo da costa entre Narbonne e a fronteira espanhola.

Os ventos se formam devido as combinações dos fatores topológicos e meteorológicos da região.

O vento Mistral, por exemplo, é o mais famoso. É um vento seco e frio. É causado pelo ar frio do norte que segue pelo vale do Rhône entre os Alpes e o Maciço Central. Em seguida ele atravessa o litoral do Mediterrâneo.

Os ventos Tramontano sopram do noroeste do Languedoc e do Roussilon. É a versão local mais suave do Mistral. É seco, frio e muitas vezes pode ser forte trazendo o ar frio das regiões polares.

O Cers sopra do oeste ou sudeste do Languedoc. Muitas vezes anuncia o clima ensolarado e quente. Em geral é frio no inverno e quente no verão, mas sempre seco.

O Marin é um vento quente que vem do mar Mediterrâneo. Sopra das margens sudeste trazendo umidade. Durante o inverno pode provocar chuvas fortes nas áreas costeiras.

O vento Sirocco vem do Sul. Ele traz ar quente e seco da África.

O vento Autan sopra do sudeste da França. É um vento quente e forte e muitas vezes é o anúncio de fortes chuvas. O Autan cobre uma área de Perpignan, no sul, Auch, a oeste, e Cahors ao norte.

O Autan pode ocorrer em duas variedades: L'Autan Blanc e L'Autan Noir. L’Autan Blanc é um vento que indica que o clima será bom. É fresco no inverno e quente no verão. Já o L’Autan Noir é quente e traz pancadas de chuvas fortes. É menos frequente que o L’Autan Blanc.

Languedoc-Roussillon - Minervois
Minervois
Principais castas

Tintas

Carignan: variedade de uva tinta mais popular cultivada. Ela é utilizada em blends que podem representar 60% da composição de um vinho. É de amadurecimento tardio e bastante resistente às geadas e ao calor intenso. Transmite aos vinhos muita cor e grande quantidade de taninos. Confere ao vinho aromas de frutas vermelhas e escuras bem como aromas apimentados.

Cinsault: casta semelhante a Grenache. Bastante resistente a secas. Os vinhos que produz tendem a ser leves, macios e, quando muito jovens, mais aromáticos do que a maior parte dos tintos. É bem adaptada à produção de vinhos rosés. A Cinsault é utilizada quase que exclusivamente para adicionar maleabilidade, perfume e frutas aos vinhos. Confere aromas de frutas vermelhas ácidas (morango e groselha).

Grenache: no Languedoc, a Grenache tem um papel secundário, mas no Roussillon é extremamente importante enquanto ingrediente vital em vinhos tão caracteristicamente fortes e doces como o Banylus, o Riversaltes e o Maury. Mais uma prova de que a Grenache é capaz de produzir grandes vinhos, mesmo que sejam vinhos de um tipo muito especial. Confere aromas de frutas vermelhas (cereja e ameixa), compota, cacau e café.

Syrah: casta que acrescenta estrutura aos vinhos Coteaux du Languedoc e aos vins de pays. Ela confere ao vinho taninos elegantes que os tornam aptos ao envelhecimento. É a quinta videira mais cultivada no Languedoc-Roussillon. Confere aromas florais (violetas, peônias), alcaçuz, especiarias, frutas vermelhas e com o tempo (evolução), notas animais.

Mourvèdre: no sul da França a Mourvédre produz vinhos bastante estruturados, com fruta intensa e aromas de amoras e mirtilos. O seu êxito maior está em desempenhar um papel secundário, dado que é mais carnuda que a Syrah, mais rija que a Grenache e a Cinsault e mais interessante que a Carignan.

Picpoul Noir: produz um vinho alcoólico, rico em aromas e que deve ser bebido enquanto jovem.


Brancas:

Chenin Blanc: é a casta que produz os melhores vinhos brancos de Anjou e é também empregada no Languedoc-Roussillon para a produção de vinhos secos e doces, como Blanquette de Limoux. É sujeita à a podridão nobre e por essa razão é colhida o mais tarde possível, por vezes em Novembro.

Grenache Blanc: muito cultivada no Roussilon, onde produz vinhos brancos de mesa concentrados, untuosos e suaves. É também um importante ingrediente nos Rivesaltes mais claros. Confere aromas de flores brancas e mel.

Macabeo: marca presença nos vinhos brancos de dominação em muitos dos vinhos doces do Roussillon. Transmite delicadeza e leveza aos vinhos. No nariz os aromas são de frutas brancas e amarelas (maçãs, pêssego e pêra) e também de flores brancas (laranjeira) e mel.

Clairette: casta usada nos vinhos brancos e rosés. Também usada em alguns muscats e para os espumantes Blanquette de Limoux. Os vinhos elaborados com esta casta costumam ser potentes e untuosos. Os aromas são de damasco, pêssego, mel e flor de laranjeira.

Mauzac Blanc: Ela é usada principalmente para fazer vinhos secos, doces e espumantes. Produz vinhos aromáticos e com sabores de maçã fresca. A Mauzac é componente principal dos vinhos espumantes chamados Blanquette de Limoux.

Vermentino: casta autorizada em muitas denominações, incluindo os brancos da Côtes du Russillon. Produz vinhos vivos, com corpo, acidez e perfume.

Viognier: confere aromas de flor de laranjeira, damasco e pêssego aos vinhos.

Chardonnay: casta usada no Blanquette de Limoux. Os vinhos elaborados a partir desta casta costumam ser untuosos, potentes e complexos. Transmitem aromas de frutas secas, aromas tostados e amanteigados. Também encontramos as flores brancas como o lírio.

Muscat de Alexandria: casta bastante presente no Muscat de Rivesaltes, mas também é usada nos vinhos doces e encorpados como o Banylus e Maury. Aromas adocicados de damasco, pêssego e mel, apresenta também especiarias doces como cardamomo e noz moscada.
 
A Reforma OCM (Organização Comum do Mercado Vitivinícola)

O novo regulamento comum europeu publicado em junho de 2008 foi adotado pela França e define a nova OCM. Dentre as novas medidas a reforma vai proteger as políticas de qualidade tradicionais e também estabelecer e garantir a proteção ao meio ambiente. A classificação dos vinhos será mais simples como se pode ver na tabela abaixo. Passam a existir apenas duas grandes categorias: os vinhos com Denominação de Geográfica (AOP e IGP) e os sem Denominação Geográfica (sem IG).

Na França os vinhos com Indicação Geográfica serão distribuídos em dois grupos: os com Appelations d'Origines Protegées - Denominação de Origem Controlada (AOP) e os de Indications Geographiques Protegées- Indicação Geográfica Progetida (IGP) e os sem Indicação Geográfica.
Exemplos de AOP: Corbières, Fitou, Minervois, Limoux, Maurye Saint Chinian. Um vinho de IGP é o Vin de Pays d'Oc. O vinho de mesa, vin de table é sem IG.

A Reforma OCM (Organização Comum do Mercado Vitivinícola)


Fontes consultadas para esse post:
Pays d’Oc Indication Géographique Protégée (24/02/2010)
Robinson, Jancis - Guide to Wine Grapes 
PubliFolha - Top 10 Vinhos da França

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