Idas e Vinhas Wine Club

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Provamos e aprovamos... Pascal Jolivet Pouilly Fumé Indigène 2010


Pascal Jolivet
Quando falamos em Pouilly Fumé estamos nos referindo a uma das AOC que compõe o Vale do Loire e de vinhos feitos exclusivamente da cepa Sauvignon Blanc. O solo composto por argila e sílex confere a mineralidade muito característica de seus vinhos. 

Não se sabe de fato como a vinicultura começou no Vale do Loire, mas parece provável que as vinhas de áreas agora conhecidas como Bordeaux, ao Sul, e Borgonha, a Leste, tenham sido levadas para lá. Os romanos ocuparam a região pelos primeiros quatro séculos da era cristã, e ali implantaram sua tecnologia de vinicultura, como comprovam os fornos escavados (para queima de ânforas de argila em que guardavam vinho), que datam do séc. I. Em 591, a vinicultura estava estabelecida na região o suficiente para que o bispo Gregório de Tours, em seu livro "A História dos Francos", descrevesse uma colheita bem sucedida e reclamasse que saqueadores bretões ocupavam vinhedos na região agora conhecida como Muscadet.

No séc. XII, o vinho tinto de Anjou era embarcado para a Inglaterra por comerciantes de Angers, e grandes quantidades de tinto e branco também saiam de várias partes da região para o próspero e independente principado de Flandres.

O comércio de vinho do Vale do Loire continuou vigoroso até meados do séc. XX, impulsionado pela proximidade de Paris, assim como da costa do Atlântico e dos mercados de além-mar.

Os vinhos brancos dominam a produção representando 52% do total. Em seguida vêm os tintos com 26%, os rosés com 16% e espumantes 6%.

A superfície de vinhedos plantados é de 52.000 ha e a produção anual é de 300 milhões de litros.
Vale do Loire Wine Map

O Vale do Loire conta atualmente por volta de 60 denominações. É o primeiro a produzir vinhos brancos de AOC da França, bem como a primeira região em matéria de produção de vinhos efervecentes (fora o champanhe). Há vários anos assiste-se a um verdadeiro despertar dos terroirs. Baixa dos rendimentos, melhor segmentação das denominações, mais cuidados nas vinificações e no amadurecimento dos vinhos: todo esse trabalho de fundo visa à melhora da qualidade dos vinhos. Já chegou à criação de novas denominações, sendo as últimas as de Orléans e de Orléans-Cléry (desde 2005).

O produtor
Pascal Jolivet é uma das maiores estrelas do Loire na atualidade, elaborando pequenas quantidades de vinhos muito elegantes, cheios de finesse e equilíbrio. A safra de 2010, que degustamos, contou com apenas 6000 garrafas.

Utilizando práticas não intervencionistas e alguns dos mais privilegiados terroirs da região, elabora excelentes Sancerre e Pouilly-Fumé - unanimidades entre os restaurantes estrelados do guia Michelin na França.

Pascal Jolivet

O vinho
Pouilly Fumé Indigène é fermentado naturalmente nas suas próprias leveduras e então amadurecido sobre as borras por 12 meses antes de ser engarrafado sem filtração.

Pouilly Fumé Indigène

Apresenta cor amarelo palha brilhante e bonita. No nariz, ligeiro, é bastante mineral e apresentou notas florais de lírios e jasmim, um leve toque de maracujá, abacaxi e mel. Aromas delicados que surgem ao longo da degustação. Bem diferentes dos Sauvignon Blanc do Novo Mundo, que apresentam aromas adocicados e muito acentuados de maracujá.

Na boca é fino e elegante, confirmando a mineralidade e o frescor das frutas e do mel. A acidez e o álcool estão equilibrados e o seu final é agradável e de média duração.

Foi uma ótima pedida para ajudar a enfrentar o tórrido calor do Rio de Janeiro.

A nossa nota foi 88 e a da Wine Spectator é 91 (um pouco exagerado).

Adquirimos esta garrafa na Lavinia em Paris no ano passado e custou o equivalente a R$97,00.

Fontes consultadas para esse post:
Larousse do Vinho
Vinhos Franceses - Robert Joseph


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