Idas e Vinhas Wine Club

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Champagne Vintage

Idas e Vinhas

Na sua melhor expressão, Champagne é o expoente dos espumantes, quer seja pela finesse, complexidade, diversidade e capacidade para envelhecer. No entanto, o Champagne não está completamente sozinho no setor de espumantes top. O italiano Franciacorta é provavelmente o rival mais próximo do Champagne pela qualidade e complexidade, mas é um David lutando contra um Golias - com 2.700ha em vinhedos, é menos de um décimo do tamanho de Champagne.

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Carneros e Anderson Valley, na Califórnia, e South Downs na Inglaterra também produzem alternativas respeitáveis. Muitos outros conseguirão tais níveis de qualidade, à medida que suas vinhas alcancem mais idade e com os benefícios das mudanças climáticas. A ironia é que a melhor competição é muitas vezes tão cara, às vezes até mais, do que o Champagne.

Rumo à melhor qualidade
Os produtores de Champagne são realistas e perseverantes, e estão trabalhando duro para fazer vinhos ainda mais finos. Um novo projeto chamado Champagne 2030, lançou um debate inovador entre os produtores sobre a forma de fazer cumprir normas mínimas de maturação em Champagne, tendo como objetivo agradar ainda mais os clientes mais exigentes. A discussão mais animada vai girar em torno da proposta de insistir em um período mínimo de três meses de envelhecimento pós-dégorgement. Isso pode soar excessivamente técnico, mas é uma questão vital de prazer de beber ideal: todos os Champagnes deveriam descansar após o dégorgement (processo de remover os sedimentos de leveduras das garrafas), que os trabalhadores chamam de “l’opération”. Como qualquer procedimento cirúrgico, a recuperação é essencial. No entanto, a opinião entre os diretores das grandes casas parece estar dividida, enquanto os mestres de adega provavelmente apoiarão o período de descanso proposto.

Outro impulso para uma maior qualidade é a tendência de diminuição no nível de dosagem (ou licor de expedição: a mistura de açúcar e vinho adicionada antes do fechamento da garrafa, fundamental para arredondar o Champagne), refletindo outonos mais quentes e maior amadurecimento das uvas. É o teor de açúcar da dosagem que classifica o Champagne em Extra Brut, Brut, Extra Dry, Demi-Sec, etc.

Muitas casas utilizam em torno de 6 a 8 gramas de dosagem para as suas vintages cuvées, enquanto produtores de ponta continuam adotando a quantidade de 3 a 6 gramas para a categoria Extra Brut. Já o Brut Nature / Zéro Champagne com nenhum açúcar adicionado, virou moda em Paris, mas não deve durar muito visto que são necessários frutos especialmente finos para torná-lo agradável de beber.

Como o próprio nome indica, Champagne Vintage é o vinho oriundo de uvas de uma única safra, considerado de tão alta qualidade que merece ser distintamente engarrafado. Ele é mantido separado do grande volume non-vintage (NV), que normalmente é uma mistura do vinho da última safra, mais vinhos reserva das safras anteriores (de 2 até 12).

Enquanto o Champagne Vintage revela tudo sobre o caráter de um bom ano, com forte sentido de terroir, o Non Vintage tem como objetivo manter o equilíbrio e consistência do estilo de uma determinada casa.

Champagnes Vintage apresentam diversos estilos. Blanc de Blancs são elaborados utilizando a Chardonnay, mas há também uma pequena quantidade de Pinot Blanc/Pinot Meslier no départment de Aube. Blanc de Noirs são feitos com a Pinot Noir (e por vezes também com Meunier). Mas os melhores vinhos Vintage são um blend clássico de Pinot Noir (50%) e Chardonnay (50%), com elevado percentual de uvas provenientes de vinhedos grand cru.

A Chardonnay traz vivacidade, frescor e estrutura; com o envelhecimento, desenvolve notas de noz tostada. A Pinot Noir confere corpo e finesse, enquanto a Meunier oferece aromas de panificação.

Comentário Idas e Vinhas: Ao contrário do que prega o senso comum de que Champagne é para ser bebido jovem, os Vintage envelhecem muito bem. Além de passarem por um maior tempo de maturação antes de serem lançados no mercado, ganham muito em qualidade e complexidade com mais alguns anos em adega. Alguns, considerados brilhantes, podem ir ainda mais longe (e pudemos comprovar isso: degustamos um Cuvée Dom Perignon 1993 e um Veuve Clicquot La Grande Dame 1989 Brut em 2010, e estavam soberbos!).

Saiba mais sobre as safras
2009 – O verão quente favoreceu o bom amadurecimento das uvas. O resultado: vinhos generosos. Beber entre 2014-2020.

2008 – Safra clássica, de longa vida e que precisa mais tempo em garrafa para beber. Alguns dizem ser tão boa quanto a de 2002. Beber entre 2018-2030.

2007 – Safra magra e para beber cedo. Esta safra foi melhor para a Chardonnay dos vinhedos grand crus.

2006 – Safra madura e encantadora ao estilo de Borgonha, especialmente para a Pinot Noir. Prazerosa.

2005 – Esta safra não foi muito boa para a Pinot Noir. Foi melhor para os vinhedos grand crus de Chardonnay.

2004 – Safra clássica com aromas sutis e frescos.

2003 – Período excessivo de calor. A safra foi atípica e com muito pouca acidez. Não é para guarda. Alguns bons rosés foram produzidos. Tenha cuidado ao comprar.

2002 – A primeira grande safra dos anos 2000: rica, complexa e de longa vida para os pacientes. Beba até 2025.

2001 – Vinhos sem estrutura. Evitar!

2000 – Safra generosa. Foi melhor do que se pensava; alguns grandes e ricos Chardonnays.

Dados sobre Champagne
Total de hectares em produção: 33.580
Quantidade de garrafas (750ml) produzidas anualmente: 308.840 milhões
Castas cultivadas: 38% Pinot Noir, 32% Pinot Meunier, 30% Chardonnay e uma pequena fração de Pinot Blanc e Pinot Meslier.
Produtores X negociantes: 400 negociantes e 15.000 produtores auto-sustentáveis
Principais mercados: A Inglaterra é o maior importador de Champagne, em seguida vêm os Estados Unidos e a Alemanha. Japão, Itália e a Austrália são importantes mercados para os Champagnes de melhor qualidade.
 
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Foto 1
A revista Decanter realizou uma degustação de 79 rótulos de Champagnes Vintage de várias safras e produtores.
 
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Foto 2
Os resultados foram: 1 excelente, 16 altamente recomendados, 59 recomendados e 3 não indicados.

Listamos aqui o excelente e os 16 altamente recomendados. Se você se deparar com qualquer um destes rótulos, considere seriamente comprá-lo!!!

Excelente

Altamente recomendados
Sainsbury’s Taste the Difference, 1er Cru 2005
Berry Bros & Rudd, United Kingdom Cuvée, Grand Cru 2005
Pierre Vaudon, 1er Cru 2005
P Brugnon 1er Cru 2008

Este post é tradução livre da matéria escrita por Michael Edwards na edição de Janeiro de 2014 da Decanter.

Material consultado para este post:
Vinhos Franceses – Robert Joseph
Wine Grapes – Jancis Robinson

*Crédito das fotos 1 e 2: site Comité Champagne.

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