Idas e Vinhas Wine Club

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sauternes 2009 & 2010

Idas e Vinhas

Sauternes é a appellation francesa lendária pelos sublimes vinhos de sobremesa. Nenhum vinho branco doce chega perto de alcançar o prestígio dessa região de Bordeaux, do qual o produtor mais famoso é o Château d’Yquem.

 Idas e Vinhas
Em Sauternes, nos morros próximos ao rio Ciron forma-se uma névoa que auxilia na ocorrência das condições perfeitas para que ocorra a podridão nobre (o ataque do Botrytis) e permita a produção de vinhos soberbos.

No entanto, da mesma forma que ocorre para toda denominação de origem, ostentar Sauternes no rótulo não é garantia de qualidade. Os melhores vinhos que dão fama à região provêm de vinhedos especialmente bem cuidados e de produtores bastante empenhados.

A qualidade da safra também é determinante para o sucesso dos vinhos. Os especialistas da revista inglesa Decanter conduziram um amplo estudo sobre as safras mais recentemente lançadas no mercado, 2009 e 2010. De acordo com grande parte da mídia especializada, 2009 está sendo considerada uma das melhores safras de todos os tempos para Sauternes. Os especialistas da Decantar vão um pouco além, e afirmam que 2010 foi igualmente excelente, mas muito diferente, por isso dependendo da sua preferência por opulência ou elegância, há algo para todos os gostos.

Uma grande safra para os tintos em Bordeaux não é necessariamente excelente para Sauternes, mas em 2009, foi definitivamente o caso. O calor do verão elevou as uvas à maturação completa, e em meados de Setembro faltava apenas a manifestação da podridão nobre. A chuva prontamente caiu e a propagação do botrytis foi rápida. A colheita foi rápida, e o único problema foi o excesso de açúcar. Teores elevados de açúcar poderiam resultar tanto em vinhos com elevada graduação alcoólica, ou em vinhos com teor alcoólico normal, mas com preocupante elevado teor de açúcar residual (resultando em vinhos pesados e enjoativos). No evento, os produtores foram capazes de misturar lotes diferentes, mantendo, assim, frescor e acidez considerável em vinhos que, no entanto, foram muito doces.
 
Já em 2010, a chuva caiu um pouco mais tarde, no final de Setembro, e houve focos de botrytis ao longo de Outubro. A disseminação da podridão nobre foi mais lenta visto que as temperaturas foram mais frias. As noites também foram mais frias, e isto em particular preservou a acidez nas uvas. Os níveis de maturação eram quase tão altos quanto em 2009, enquanto os de acidez foram maiores, dando aos vinhos maior vivacidade e intensidade. Tal como em 2009, os rendimentos foram muito generosos - uma dádiva divina em uma região onde os rendimentos podem ser arduamente limitados.

Barsac difere dos outros municípios da região, uma vez que é mais plana e tem mais calcário e consideravelmente menos argila no solo. Isso geralmente resulta em vinhos de maior requinte e menos potência do que os de Sauternes, mas isso é uma diferença de estilo e estrutura, não de qualidade.

Qual safra você prefere é uma questão de gosto. Se opulência e riqueza são fundamentais, então 2009 pode dar mais prazer. Se a intensidade e elegância importam mais, então 2010 vai caber na conta. A safra de 2009 é certamente a que agradará a todos. Alguém poderia supor que 2009 amadurecerá mais rápido do que 2010, mas de maneira nenhuma isso está correto. Ambas devem envelhecer muito bem, e haverá alguns vinhos que estarão ainda vivos no meio deste século.

Consistentemente alta qualidade
Aqueles que tem longa memória de Sauternes irão testemunhar a imensa melhora na qualidade nas últimas décadas. Em 1960 e 1970, havia apenas alguns vinhos de excelente qualidade, enquanto grande parte era simplesmente terrível. Os vinhos de baixa qualidade praticamente desapareceram: entre os produtores classificados em Sauternes os de baixa reputação podem ser contados nos dedos de uma mão.

Há sempre uma tentação em querer encurtar o caminho em Sauternes: os baixos rendimentos (metade de um quarto para os vinhos tintos) e a necessidade de colheitas repetidas para selecionar apenas uvas que foram atacadas pela podridão nobre, significa que os custos de produção são enormes e que raramente são recompensados pelo mercado. Ainda assim, hoje não há qualquer evidência de que a a colheita e a vinificação estejam sendo malfeitas. A grande maioria dos produtores classificados, e algumas propriedades não classificadas, também estão consistentemente fazendo vinhos de altíssima qualidade.

É uma pena que tão poucas pessoas estejam comprando. A qualidade não é o problema, mas os consumidores ainda estão intrigados sobre quando e como um Sauternes deve ser bebido. Os produtores estão tentando corajosamente promover os vinhos como ideais para acompanhar comida asiática, mas, francamente, é um exagero, especialmente com os níveis de açúcar residual acima de 150 gramas/litro. Sim, os vinhos são perfeitos com foie gras ou Roquefort, mas com que frequência as pessoas comem isso? Sauternes permanece muito mais um nicho de mercado, embora muitos consumidores simplesmente os descartem por serem vinhos doces e considerados por muitos como fora de moda.

As propriedades de Sauternes não têm se ajudado, promovendo de forma tímida os seus vinhos. Eles provavelmente gastam muito dinheiro produzindo os vinhos e há pouco sobrando para campanhas promocionais efetivas. Mas eles merecem ser melhor conhecidos e apreciados. Com algumas exceções, eles não são caros e vão durar por décadas. E a qualidade nunca foi tão boa quanto agora.

Saiba mais sobre as safras
2012 – Não recomendada. Alguns Châteaus top decidiram não engarrafar o vinho.

2011 – Safra magnífica, com fruta muito concentrada e equilibrada pela boa acidez.

2010 – Pura e ousada, a intensidade sobrepõe a opulência.

2009 – O verão foi quente mas o resultado foram vinhos grandiosos e encorpados, voluptuosos, mas não fora de equilíbrio.

2008 – Um outono difícil, com baixos rendimentos, provavelmente subestimada. Não está ao nível da safra de 2007.

2007 – A colheita foi prolongada, mas os vinhos são de alta qualidade, apesar de sua longevidade ser questionada.

2006 – Um ano leve, com baixos rendimentos e elevada acidez.

Dados sobre Sauternes
Há 5 comunas (Sauternes, Barsac, Fargues, Preignac and Bommes), e Barsac tem o direito de rotular os vinhos com o nome Barsac ou Sauternes.
Total de hectares em produção:
Sauternes: em torno de 2.200ha
Barsac: em torno de 660ha
Rendimento máximo: 25hl/ha
Graduação mínima de álcool: 13%

A revista Decanter realizou uma degustação de 39 rótulos de Sauternes das safras de 2009 e 2010.

Os resultados foram: 2 excelentes, 23 altamente recomendados, 13 recomendados e 1 defeituoso.

Listamos aqui os 2 excelentes e os 23 altamente recomendados. Se você se deparar com qualquer um destes rótulos, considere seriamente comprá-lo!!!

Excelentes

Altamente recomendados 
Château Sigalas Rabaud, Sauternes 1CC 2009
Château Sigalas Rabaud, Sauternes 1CC 2010


Este post é tradução livre da matéria escrita por Stephen Brook na edição de Janeiro de 2014 da Decanter.

Material consultado para este post:
Vinhos Franceses – Robert Joseph

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