Idas e Vinhas Wine Club

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Central Otago Pinot Noir – Nova Zelândia

Idas e Vinhas
Pisa Range Estate Winery
Nos últimos 25 anos, esta região tornou-se o padrão do Novo Mundo para a Pinot Noir. Esse salto na qualidade foi fruto da substituição de variedades híbridas por castas europeias, movimento iniciado na década de 60 do século passado.


Idas e Vinhas

Central Otago diferencia-se das demais regiões vinícolas da Nova Zelândia pelo seu clima continental (situa-se no interior da ilha Sul). Verões quentes, invernos bem frios e a ausência da influência marítima favorecem a Pinot Noir (cepa mais plantada na região), conferindo a seus vinhos estilo parecido com o dos produzidos na Borgonha.

Os enólogos de Central Otago são uma raça em constante mudança. Um dos pioneiros foi o francês Jean Désiré Feraud, que bravamente plantou videiras em 1864. Feraud foi seguido nos anos de 1970 e 1980 por alguns moradores aventureiros que experimentaram uma gama de variedades e locais, provando que a área era propícia para a viticultura. Viticultores e enólogos profissionais foram atraídos para a região e acabaram por provar que Central Otago poderia fazer vinhos muito bons, especialmente Pinot Noir. Os mais recentes interessados são produtores de outras regiões, como a Cloud Bay, Pernod Ricard (Brancott Estate) e Craggy Range, buscando incluir um Otago Pinot Noir em seus portfolios.

Para entender completamente a sedução desta região, é necessário visitá-la. É a única região vinícola com influência continental da Nova Zelândia e a paisagem alpina é espetacular. Mesmo para o olho destreinado parece um país do vinho. O terreno rochoso oferece vales férteis, encostas ensolaradas e socalcos (encostas com terraços) perfeitos para a produção de vinhos de alta qualidade.

Estilo Distinto
Levou pouco mais de 25 anos para o Central Otago Pinot Noir se tornar um estilo reconhecido internacionalmente. Para alcançar essa distinção um estilo de vinho deve ser muito bom, consistente e, mais importante, completamente diferente. As características mais fortes do Central Otago Pinot Noir são os marcantes aromas frutados, com destaque para ameixa e cereja. Com frequência os vinhos apresentam textura rica e adquirem notas de tomilho, erva nativa da região.

As sub-regiões que tendem a produzir vinhos semelhantes são Bannockburn e Cromwell Basin. Os terraços de média e alta elevação de Bendigo oferece um perfil similar, com textura mais fina e elegante. Gibbston e Wanaka são sub-regiões mais frias com vinhos mais nítidos e brilhantes, que podem ter notas de ervas frescas, enquanto os verões quentes e curtos da região de Alexandra Basin tende a criar vinhos mais perfumados e encorpados, que muitas vezes impressionam pela longevidade.

Comparáveis por especialistas aos vinhos da Borgonha/Côte d'Or, os Pinot Noir de Central Otago são considerados mais macios, frutados, frescos e mais acessíveis.

Central Otago Pinot Noir é normalmente tão acessível quando lançado que é fácil inferir que não que não tenham potencial de guarda. No entanto, é difícil falar com autoridade sobre o potencial de envelhecimento do Pinot Noir neozelandês, em virtude de sua história curta já que a maioria dos produtores preferiu adotar o sistema de screwcap para o fechamento das garrafas (cerca de 8 anos atrás). Screwcaps prolongam e não comprometem a vida do Pinot Noir. Pode-se especular que a maioria ainda estará boa para beber depois de 20 anos em garrafa, desde que mantidos em condições razoáveis de armazenamento.

Vinhos mais estruturados, especialmente aqueles feitos usando uma porcentagem de cachos inteiros para reforçar os taninos durante a fermentação, parecem ganhar em complexidade e textura com o envelhecimento em garrafa.

Saiba mais sobre as safras
2012 – Safra abundante e consistentemente boa. Pronta para beber e com potencial de guarda.

2011 – Acima da média. Choveu um pouco. Vinhos estruturados que evoluirão bem na adega.

2010 – Safra muito boa. Produziu vinhos excelentes que já estão bons para serem bebidos agora, mas não tenha pressa.

2009 – Vinhos excelentes, muitas vezes com sabor pronunciado de frutas. Tão boa quanto a grande safra de 2007.

2008 – A safra de maior produção já registrada. A maioria dos vinhos são bons embora alguns possam apresentar corpo magro se foram afetados pela chuva tardia.

2007 – Safra bem conceituada, talvez a melhor até o momento. A colheita foi pequena. Os vinhos são frutados, elegantes e poderosos. Envelhecerão bem.

2006 – A estação foi seca e quente e produziu vinhos charmosos e acessíveis.

2005 – Safra muito pequena e fresca. Os vinhos são firmes, estruturados e precisam em tempo em adega.

2004 – A safra mais fria (até 2005). Os vinhos são concentrados e estruturados, e com frequência apresentam aromas herbais.

2003 – Boa safra, embora tenha sido atingida por geadas. A maioria dos vinhos tem potencial para envelhecer.

Dados de Central Otago
Vinhedos de Pinot Noir em produção em Central Otago: 1.357ha (76% dos vinhedos da região)
Vinhedos de Pinot Noir em produção na Nova Zelândia: 5.125ha
Quantidade de uvas colhidas anualmente (todas as variedades): 8.407 toneladas
Produção: 124 vinícolas e 33 produtores de uvas

A revista Decanter realizou uma degustação de 90 rótulos das safras 2009, 2010, 2011 e 2012 de vinhos da casta Pinot Noir. Foram selecionados vinhos de produtores renomados e desconhecidos, grandes e pequenos e de diversas faixas de preços. 
Pisa Range Estate Winery
Os resultados foram 5 excelentes, 32 altamente recomendados, 49 recomendados e 4 razoáveis.

Listamos aqui os 5 excelentes e os 32 altamente recomendados. Se você se deparar com qualquer um destes rótulos, considere seriamente comprá-lo!!!

Excelentes

Altamente recomendados

Este post é uma adaptação e tradução livre da matéria escrita por Bob Campbell na edição de Janeiro de 2014 da Decanter.

Literatura pesquisada para este post
Os Segredos do Vinho, de José Osvaldo Albano do Amarante
The Landscape of New Zealand Wine, Kevin Judd e Bob Campbell

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