Idas e Vinhas Wine Club

domingo, 12 de julho de 2015

Vinhos Verdes... uma outra face dos vinhos de Portugal

Idas e Vinhas

Em se tratando de vinhos portugueses, a maioria de nós logo se lembra dos excelentes tintos das regiões do Douro, Dão, os brancos do Alentejo...e costumamos parar por aí. Mas felizmente esse cenário está mudando. De olho no promissor mercado consumidor brasileiro, especialmente o carioca que é o maior apreciador de vinhos portugueses, temos tido várias ações promovidas por entidades como a Vinhos de Portugal e a Vinho Verde que visam apresentar outras faces da vinicultura da nossa antiga Metrópole.

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O assunto desse post é uma exclusividade portuguesa: O Vinho Verde. E não, ele não é verde e nem precisa amadurecer para ser bebido...ao contrário! São tintos, brancos e rosés cujos aromas, frescor e vivacidade são muito particulares.

Produzido unicamente na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, no noroeste de Portugal, é elaborado somente a partir das castas autóctones da região, preservando a sua tipicidade de aromas e sabores tão diferenciadores a nível mundial.

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Amarante Rio Tâmega

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Melgaço - Vale do Minho
A região foi oficializada em 18 de Setembro de 1908 e demarcada em 1 de Outubro do mesmo ano. É a maior (e uma das mais antigas) região demarcada de Portugal, localizada a noroeste, faz fronteira com a Espanha, nas províncias do Minho e do Douro Litoral. É dividida em nove sub-regiões: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Melgaço, Paiva e Sousa.

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O clima
Uma das particularidades da região é o clima, extremamente chuvoso, com índice médio podendo chegar a 1200mm ano, se concentrando no inverno e na primavera. Este fator se deve ao relevo bastante irregular, recortado por vales e rios, se acentuando do litoral para o interior. Os rios Minho, Lima, Cávado, Ave, Sousa, Tâmega e Douro também influenciam a vitivinicultura da região.

Os solos
Na sua maioria são de origem granítica com algumas faixas de origem xistosa.

A Denominação de Origem (D.O.) Vinho Verde
A D.O. Vinho Verde designa um produto vitivinícola:
- Originário de uvas provenientes dessa região;
- Cuja qualidade ou características se devem essencial ou exclusivamente ao meio geográfico, incluindo os fatores naturais e humanos;
- E cuja vinificação e elaboração ocorrem no interior da D.O.

Para ostentar o rótulo D.O. Vinho Verde, o produtor está sujeito a um controle rigoroso que envolve todas as fases do processo de produção do vinho, desde a vinha até o consumidor. As castas utilizadas, os métodos de vinificação e as características organolépticas são apenas alguns dos elementos cujo controle permite a atribuição da D.O. Cabe às Comissões Vitivinícolas Regionais assegurar esse controle de forma a garantir a genuinidade e qualidade dos produtos com D.O. dentro das suas regiões demarcadas.

O Vinho Verde representa praticamente 90% do total do vinho produzido na região.

A Indicação Geográfica (I.G.) Minho
Essa indicação geográfica localiza-se na mesma área da D.O Vinho Verde. Para ostentar a denominação I.G. Minho, o vinho deve obedecer as seguintes condições:
- Ser originário de uvas daí provenientes em pelo menos 85%;
- Cuja reputação, determinada qualidade ou outra característica podem ser atribuídas a essa origem geográfica;
- E cuja vinificação ocorra no interior da I.G.

O vinho regional Minho representa aproximadamente 10% do total da produção da região. Para a sua produção são autorizadas 23 castas, que não podem ser utilizadas na D.O. Vinho Verde.

Brancas: Chardonnay, Chenin Blanc, Colombard, (Semilão), Gewürztraminer, Müller Thurgau, Pinot Blanc, Rabo-de-Ovelha, Riesling, Sauvignon Blanc, Verdelho, Viognier e Viosinho.

Tintas: Alfrocheiro, Aragonez (Tinta Roriz), Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Castelão, Jean (Mencia), Merlot, Pinot Noir, Syrah, Tinta Barroca e Pinot Gris.

Área de Produção da D.O. Vinho Verde e da I.G. Minho
Os vinhedos estão a aproximadamente 700 metros acima do nível do mar, na zona tradicionalmente conhecida como “Entre-Douro-e-Minho”, com cerca de 21 mil hectares de vinhedos, o equivalente a 15% da área vitícola portuguesa.

Principais números da região:
7.000 km2
21.000 há de vinhedos
129.000 parcelas de vinha
45 castas (D.O. Vinho Verde)
68 castas (I.G. Minho)
19.000 viticultores
600 engarrafadores
80 milhões de litros de vinho produzidos anualmente
2.000 marcas de vinho

As castas
Principais brancas:
Alvarinho
Arinto (Pedernã)
Avesso
Azal
Batoca (Alvaraça)
Loureiro
Trajadura (Treixadura)

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Principais tintas:
Alvarelhão (Brancelho)
Amaral
Borraçal
Espadeiro
Padeiro
Pedral
Rabo-de-Anho
Vinhão (Sousão)


Outras permitidas:
Brancas: Cainho, Cascal, Diagalves, Esganinho, Esganoso, Fernão Pires (Maria Gomes), Folgasão, Gouveio, Lameiro, Malvasia-Fina, Malvasia-Rei, Pintosa, São-Mendes, Semillon, Sercial (Esgana Cão) e Tália (Ugni Blanc, Trebbiano-Toscano).

Tintas: Alicante-Bouschet, Bagal, Doçal, Doce, Espadeiro-Mole, Grand-Noir, Lambrusco, Mourisco, Pical (Piquepoul-Noir), Sezão, Touriga-Nacional, Trincadeira, Tinta-Amarela, Trincadeira Preta, Verdelho Tinto e Verdial Tinto.

Como dissemos, o Vinho Verde pode ser branco, tinto e rosé. Na região também são produzidos vinhos de colheita tardia e espumantes, além de aguardentes vínica e bagaceira.

Os tipos de Vinho Verde
Branco: de cor citrina ou palha, com aromas frutados e florais, dependendo das castas que lhe dão origem. Em boca são intensos e refrescantes.
Temperatura de serviço: 8 a 12ºC

Rosado: cor levemente rosada ou carregada, apresenta aromas frescos de frutos vermelhos. Em boca é refrescante e persistente.
Temperatura de serviço: 10 a 12ºC

Tinto: de cor vermelha intensa e, em alguns casos, apresenta espuma rosada ou vermelha viva, aroma vinoso, com destaque para os frutos silvestres. Na boca é fresco, intenso, saboroso e gastronômico.
Temperatura de serviço: 12 a 15ºC

Colheita tardia: apresenta cor dourada e aromas de frutas secas, mel, floral, com final de boca persistente e complexo.
Com açúcar residual mínimo de 45g/L e álcool mínimo de 14% e máximo de 15% vol.
Deve ser servido bem gelado, como aperitivo, no acompanhamento de foie gras, patés, queijos e sobremesas.

Espumantes
A região está ganhando destaque também na produção de espumantes. Podem ser elaborados pelo método Charmat ou Champenoise, e são classificados em “Vinho Espumante de Qualidade” e “Vinho Espumante”.

Espumantes com D.O. Vinho Verde, devem ser elaborados exclusivamente de Alvarinho. Já nos D.O. Vinho Verde Varietais Alvarinho, a casta deve representar percentual igual ou superior a 30% no produto obtido.

Os espumantes D.O. Vinho Verde Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço devem ser 100% provenientes de castas cultivadas e vinificadas nessa sub-região.

Classificação conforme a concentração de açúcar residual (seguem as mesmas regras de Champagne) podem ser:
Bruto natural: < 3g/L (sem adição de açúcar após a segunda fermentação)
Extra bruto: entre 0 e 6g/L
Bruto: < 12g/L
Extra seco: entre 12 e 17 g/L
Seco: entre 17 e 32g/L
Meio seco: entre 32 e 50g/L
Doce: > 50g/L

Classificação conforme o tempo de estágio em garrafa:
Reserva: 12 a 24 meses.
Super reserva ou Extra reserva: 24 a 36 meses.
Velha reserva ou Grande reserva: mais de 36 meses.

Temperatura de serviço: 4 a 6ºC

Aguardente vínica de Vinho Verde
São incolores, elaboradas a partir da destilação do vinho. Podem ser comercializadas apenas após o envelhecimento em madeira. O estágio em madeira transmitindo certa coloração, aroma e sabor, dando mais complexidade e suavizando o produto final. Mínimo de 37,5% vol.

Podem ser:
Velha/Reserva: envelhecimento mínimo de 2 anos em madeira.
Velhíssima: envelhecimento mínimo de 3 anos em madeira.
VSOP (Very Superior Old Pale): envelhecimento mínimo de 4 anos em madeira.
XO (Extra Old): envelhecimento mínimo de 6 anos em madeira.

Temperatura de serviço: 15 a 18ºC e 10 a 12º C, se servida com sobremesas.

Aguardente bagaceira de Vinho Verde
Provém da destilação do bagaço das uvas. Incolor, apresenta aroma e sabor acentuados, provenientes dos óleos essenciais existentes nas cascas e grainhas das uvas. Mínimo de 40% vol.

São obtidas pela destilação em alambique de caldeira ou pote e alambique de coluna.

Podem ser:
Velha: envelhecimento mínimo de 1 ano em madeira.
Velhíssima: envelhecimento mínimo de 2 anos em madeira.

Temperatura de serviço: 12 a 15ºC e 5 a 7º C, se servida com sobremesas.

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Fontes consultadas para este post:
Os Segredos do Vinho
Grande Larousse do Vinho

Fotografias retiradas do site Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verde

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