Idas e Vinhas Wine Club

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Enocuriosos... Perambulando pelo Brasil: Vinícola Cainelli

Idas e Vinhas

Estivemos na Vinícola Cainelli em janeiro de 2015, na mesma ocasião em que retornávamos a Bento Gonçalves para revisitar a Cristofoli (que já havíamos visitado no ano anterior). Aliás, foi o pessoal da Cristofoli que, muito gentilmente, nos ajudou com o agendamento do passeio na Cainelli.

Esta singela e pequena vinícola está situada às margens da BR 470, no Distrito Tuiuty - em um trecho da estrada com bela paisagem e alguns mirantes no entorno. Como só tínhamos disponível um dia em que a vinícola não teria programação de seu grande evento (e que tanto queríamos fazer): a colheita e a “pisa” das uvas, a solução encontrada pela família Cainelli para nos atender foi oferecer um passeio de tuc-tuc que... amamos!

(“Taí” um diferencial arrebatador entre se fazer visitas a vinícolas no exterior ou no seu país - afora as diferenças propriamente enológicas, claro... Não há nada como o acolhimento, o sentimento de "irmandade", o bom "jeitinho brasileiro" que se dá na hora de receber um turista desavisado que chegou em momento, digamos, impróprio... O brasileiro te acolhe, arruma mais uma cadeira e te convida pra sentar, dá o seu jeito. Em outros países, na grande maioria das vezes, te apontam a plaquinha de "fechado" no canto do estabelecimento... (com deliciosas exceções, claro, mas não é o comum lá fora). Não queremos defender que um esteja certo e o outro errado, de modo algum! Mas é fato incontestável que não há coisa mais gostosa nesse mundo de Deus do que se sentir bem recebido e acolhido! Mesmo (ou principalmente) quando você sabe que não poderia exigir ou esperar isso...)

Não havendo, então, como nos receber para a experiência (tão desejada por nós) da colheita e pisa, a família Cainelli nos ofereceu esse passeio de tuc-tuc (uma espécie de “tratorzinho” utilizado pelos produtores da região – neste caso, adaptado para receber turistas a bordo). Quem nos guiaria em tal aventura seria o carismático e divertido senhor Nei, um também produtor local que, entre parreirais e construções históricas, entre grandes vinícolas e pequenos lotes de agricultores locais, entre chão de terra e trechos de estrada, nos contava "causos", apontava lotes de moscatel, de merlot, fazia piadas, tornando o passeio mais que especial! Um senhor muito sábio, espirituoso e... famoso! (Há um monte de matérias sobre o Sr. Nei na internet). Ele roubava a cena muitas vezes, por mais que a paisagem fosse linda a nossa volta!

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Paradinha para espiar a vista, contemplada também pelo Sr. Nei.
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A vista!
Quando chegamos ao lote de parreirais do seu Nei, saltamos do tuc-tuc para fazer fotos. Alguns senhores trabalhavam na colheita naquele momento, todos nos cumprimentaram de modo acolhedor. Era tudo muito bonito, verdadeiro e especial...


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Na lida
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E a "turistada" se esbaldando...
Nesse momento, o Sr. Nei nos ensinou como fazer uma foto perfeita de uma videira carregada. A "técnica" não requer prática nem tampouco expertise, mas não é indicada para pessoas que sofrem de labirintite! Você fica de costas para o vinhedo que deseja fotografar, depois abre as pernas e dobra a coluna para baixo. Neste momento você estará vendo o mundo (o parreiral) de ponta-cabeça. Então é só ajustar o foco da máquina apontando para o "objeto" a ser fotografado. Quase sempre dá certo!

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Foto batida com a técnica recém-aprendida. (Dá para ver a diferença? Só estando lá para perceber.)
(Ah! É muito importante usar repelente nesse passeio! Sobretudo nessa paradinha no parreiral. As muriçocas fizeram a festa!)

De volta à casa sede da Cainelli, visitamos o pequeno museu – uma casa típica dos imigrantes italianos que ali chegaram. É singela e muito bonita. O valor do ingresso é módico e pode ser revertido em desconto para sua compra na “lojinha”, o mesmo vale para o valor cobrado pela degustação.


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Oratório representativo dos costumes nas casas italianas - exposto na casa-museu da Cainelli
E a degustação? Após o passeio de tuc-tuc e a visita ao museu, fomos muito bem recebidos pelo jovem enólogo, Roberto Cainelli Jr., responsável pelo novo impulso dado a esta bodega. Roberto, tal como Bruna (da Cristofoli), ingressou nos cursos técnico e superior em enologia para conhecer mais sobre a arte de fazer vinhos e levar a produção do vinho familiar a outro patamar, mais refinado, respeitável e competitivo. O entusiasmo e simpatia ao contar um pouco sobre a história da família e, principalmente, ao elencar as características de seus vinhos são realmente encantadores. Não há como não se envolver.

É “mais passeio” ou é “mais vinho”?

Não há como não ser “mais passeio”. Não que os vinhos deixem a desejar, mas a vocação turística da Cainelli é inegável e irrenunciável. O passeio de tuc-tuc e a visita autoguiada ao pequeno museu são muito interessantes (e olha que não participamos da colheita e pisa das uvas...). Quanto aos vinhos, provamos os rótulos Espumante Brut, Espumante Moscatel, Lorena (uma variedade desenvolvida pela EMBRAPA) e Merlot. Gostamos dos espumantes, muito simpáticos, e o branco, Lorena, foi uma grata e interessante experiência. Certamente voltaremos à Cainelli para completar o resto do passeio  (afinal, ainda nos falta a colheita e a pisa!) e para, certamente, trazer alguns rótulos mais para casa.

Tim-tim!

Enocuriosos
*fotografias de Dagô e Simone.

Conheça outras vinícolas que visitamos no sul do Brasil aqui e aqui.

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