Idas e Vinhas Wine Club

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Enocuriosos... Viñas de Chile – Errazuriz

Idas e Vinhas

Depois da estada no Valle do Elqui, retornamos para Santiago com o objetivo de estar perto de nossos próximos destinos: duas “viñas” na província de San Felipe de Aconcagua. Uma dessas visitas foi motivada por reiteradas recomendações da Ana Cristina sobre a beleza da bodega e as qualidades dos vinhos ícones da casa. Vinhos ícones? (Como assim? Mais de um?!) Sim, o relato de hoje é sobre uma casa que produz 5 ícones (!) – trata-se da famosa Viña Errazuriz.

Os Enocuriosos procuravam conhecer outra região vinícola do Chile e por isso o Valle de Aconcagua foi facilmente identificado em nosso “radar”. Vejam só por quê: se encontra a pouco mais de uma hora de Santiago, possui boa infraestrutura e boas estradas, é bem servido por ônibus intermunicipais e possui uma das bodegas estelares do Chile. Foi após ler um pouco sobre a Errazuriz que soubemos ser ela a estrela da Cata de Berlim e que seus vinhos tinham conseguido romper uma difícil barreira – a influência da origem sobre a percepção da excelência.

Após esta pequena introdução, vamos ao relato propriamente escrito. Em Santiago, tomamos um ônibus para San Felipe diretamente no Terminal de Buses los Heroes. O ônibus segue sem paradas até o terminal rodoviário desta pacata cidade (que soubemos depois ser uma antiga rota de caminhoneiros que cruzam os Andes indo e voltando ao sul do Brasil) e ali mesmo, na saída do terminal, é possível pegar um táxi com facilidade. Nosso plano era bem simples: ir até uma cidade próxima e lá tentar fazer o percurso de táxi (com o apoio da internet tudo fica fácil...). Tivemos a felicidade de encontrar uma boa companhia de viagem, D. Nancy, que nos conduziu com tranquilidade (e também uma boa proza) até nosso destino final – a 16 quilômetros da cidade, no povoado de Panquehue.

A primeira visão da viña é simplesmente deslumbrante. Os vinhedos circundando toda a propriedade, a bodega histórica e o edifício novo são parte de um retrato muito peculiar e difícil de esquecer. Utilizando a visualização por satélite fica mais fácil entender como esta gigantesca propriedade encanta – todos os degraus dos montes são cobertos de vinhedos.

Chegando à recepção (que fica na bodega histórica), fomos apresentados ao staff e após alguns minutos de espera demos início ao passeio. Cabe aqui um parêntese: Agendamos a Visita Icono Don Maximiano e fizemos o tour sem outros acompanhantes além do guia – normalmente ficamos felizes quando isso acontece porque a visita acaba por se tornar exclusiva e, de certa forma, personalizável e menos roteirizada. Infelizmente não foi esse o caso, pois a sensação que tivemos foi a de que estávamos atrapalhando a rotina da casa ou de que apenas dois visitantes era muito pouco para empolgar nosso receptivo turístico... (Mas como não queremos focar nos aspectos negativos, daremos sequência ao relato.)

Ainda na bodega histórica fomos apresentados a um grande painel de fotos e figuras que contavam a história da família do fundador e como a paixão pelo vinho foi passando de geração a geração. Essa introdução nos surpreendeu e cremos que foi a melhor contextualização histórica que recebemos em visitas deste tipo.

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Logo em seguida visitamos a sala de barricas e a adega (com milhares e milhares de garrafas, incluindo alguns dos ícones). Todos os espaços estavam impecavelmente organizados e, é claro, isso é um convite para muitas fotos (que não nos furtamos a tirar).

Saímos da edificação histórica e nos dirigimos à belíssima Bodega Icono Don Maximiano. Há um vídeo na internet com uma sequência de fotos que cobre toda a fase de construção deste imponente prédio.

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A caminho da Bodega Icono, com a vista dos parreirais morro acima.
Neste edifício se dá o processamento das uvas e a fermentação nos grandes tanques. Na foto abaixo é possível identificar que há tanques de carvalho e de inox. Perguntamos o porquê deste fato e a explicação dada é que os tanques de madeira fazem parte do primeiro lote adquirido para a Bodega Icono e os tanques em aço, mais versáteis e de manuseio mais prático, foram adquiridos posteriormente.

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Quando lá estivemos, a vendimia ainda não havia começado e, por isso, a bodega estava praticamente inativa. Por este motivo rapidamente fomos conduzidos à Bodega Histórica para a degustação de 3 vinhos.

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Vista externa da Bodega Histórica
Na ocasião, nos serviram os seguintes vinhos: Max Reserva Cabernet Sauvignon 2012, Aconcagua Costa Sauvignon Blanc 2014 e Don Maximiano 2011. Curiosamente o que mais nos agradou foi o vinho da série Aconcagua Costa – pedimos, inclusive, para provar o Syrah da mesma linha para confirmar nossa impressão mas a guia informou não ser possível atender nossa solicitação pois não havia garrafas abertas deste rótulo... achamos estranho (principalmente porque eles possuem o serviço de degustação por taça) mas consideramos que seria melhor não confrontar. Resolvemos comprar uma garrafa para experimentar no Brasil – sem dúvida esta foi uma excelente decisão porque o vinho, um 2012, estava ótimo. Obs.: descobrimos depois que o casal Follador também provou (e aprovou) este rótulo (e da mesma safra).

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Achamos um pouco desconfortável o local escolhido para a realização da degustação – foi utilizado um balcão no salão principal. Ficamos sentados em banquetas e sem qualquer privacidade – me parece que esta proposta é mais adequada para uma degustação por taça, mas não é muito cortês com quem buscou uma degustação top em uma viña de excelência. Ainda assim saímos de lá felizes com a experiência que tínhamos acabado de viver principalmente porque o lugar é lindo e a visita foi privativa.

É "mais passeio" ou é "mais vinho"?

É mais vinho. Talvez possa ser “mais passeio” para algum outro visitante, mas nossa visita foi permeada de falhas por parte do receptivo turístico. Não fomos sequer convidados a conhecer os outros vinhos disponíveis para a compra e a todo instante sentíamos que nossa visita não era muito importante para a casa. Os vinhos, embora não tenham agradado em cheio nosso paladar, possuem sem dúvida uma identidade própria – é fácil identificar que são complexos e refinados. Não degustamos os outros ícones, mas para quem provou um Don Maximiamo já está de bom tamanho.

Em breve faremos o relato da outra viña visitada neste mesmo dia.

¡Salud!

Enocuriosos
*fotografias de Dagô e Simone.

Gostou dessa postagem? Nossa segunda viagem ao Chile começou aqui.

Ana Cristina e Alexandre Follador também visitaram a Errazuriz! Veja aqui.

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