Idas e Vinhas Wine Club

sábado, 23 de março de 2013

Idas e Vinhas na Estrada – 13/12/2012 parte II – Casa Lapostolle – Valle de Colchagua


O caminho entre a Viña Montes e a Casa Lapostolle é bem curto, pois ambas estão localizadas no Valle de Apalta, subregião do Valle do Colchagua. Saindo de Santiago pela Rota 5, são cerca de 200 km para o Sudoeste. 

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Nossa visita à Casa Lapostolle consistiria de uma visita à bodega ícone, uma degustação premium e almoço na Casa Parrón, o conceituado restaurante da vinícola. Estávamos bastante empolgados, pois sem dúvida a Lapostolle seus vinhos são destaque não apenas no Chile, mas também no mercado internacional de vinhos de qualidade superior (o ícone Clos Apalta foi considerado, em 2005, o melhor vinho do mundo pela Wine Spectator).

A Vinícola
O lema da Casa Lapostolle é: Francesa na essência, Chilena de origem.
Isso porque a família da fundadora da vinícola, Alexandra Marnier Lapostolle, além de se dedicar à vitivinicultura há muitas gerações, é também proprietária do mundialmente famoso licor francês Grand Marnier.

Em 1994, Alexandra e seu marido Cyril Bournet fundaram a Casa Lapostolle. O objetivo era, e ainda é, criar vinhos de classe mundial utilizando as técnicas e os fundamentos franceses aliados aos excelentes terroirs chilenos. Para tal, contam com a consultoria do polêmico e onipresente enólogo Michel Rolland. Mas nossa percepção nessa visita foi a de que os vinhos da Lapostolle apresentam identidade própria, ainda livres de qualquer padronização que um consultor tão requisitado como Rolland possa conferir.

Hoje a Lapostolle possui 370 ha de vinhas, espalhadas por três vinhedos: Atalaia (no valle de Casablanca), Las Kuras (no valle de Cachapoal) e Apalta (no valle de Colchagua). A propriedade de Apalta (com 700 ha no total, sendo 190 ha de vinhas) abriga ainda as duas bodegas: Cunaco e Clos Apalta.

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A bodega Cunaco é a original de 1994, de estilo colonial. Os vinhos da linha Casa, o Canto de Apalta (um blend intermediário entre as linhas Casa e Cuvée Alexandre) e os da linha premium Cuvée Alexandre são produzidos ali.

Em 2006 foi inaugurada a bodega Clos Apalta dedicada exclusivamente aos vinhos ícones Clos Apalta e Borobo. É uma construção impressionante, cujo formato de uma das faces evoca a estrutura de uma barrica (ou um “ninho”, como outros a chamam), perfeitamente encaixada na rocha acima do vinhedo.

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Nossa visita foi focada em conhecermos o vinhedo de Apalta e a bodega ícone. Estamos há 68 km a leste do Oceano Pacífico, entre a Cordilheira dos Andes e a Cordilheira da Costa. Uma característica interessante do Valle de Apalta é que ele não é um vale fechado, totalmente encapsulado entre as montanhas. Ele tem a forma de uma ferradura com a abertura voltada para o Sul. Essa posição evita a insolação excessiva, permitindo o correto desenvolvimento das uvas.

Em Apalta são plantadas Carmenère, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Syrah. A plantação compreendeu o período de 1920 a 2006, sendo que as parcelas de 1920 foram plantadas com videiras trazidas da França. Outra particularidade é que o manejo possui certificações orgânica e biodinâmica desde 2011.


A visita e a degustação
Quem nos recebeu foi o jovem enólogo Diego Urra, há 6 anos trabalhando na Lapostolle. Diego foi bastante atencioso, respondendo a todas as novas dúvidas com interesse e sem pressa.

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A recepção das uvas é feita no platô onde fica a entrada da complexa e bela construção. As uvas são colhidas à noite, manualmente. A seleção e limpeza iniciais são feitas apenas por mulheres (aliás, isso foi uma constante em todas as vinícolas), consideradas mais cuidadosas para esse trabalho. A capacidade de processamento é de 15 mil kg/dia. Para se ter uma ideia, na bodega Cunaco o tratamento inicial é mecanizado e são processados 60 mil kg de uva/dia.

Para a produção dos ícones Clos Apalta e Borobo, as parcelas do vinhedo a eles dedicadas são manejadas de forma especial: são permitidos apenas 500g de uvas em cada videira e a plantação é extensiva, ou seja, apenas 3500 plantas/ha. Além disso, as novas parcelas são plantadas no sistema de porta enxerto. Segundo Diego, os porta enxertos ajudam a reduzir ainda mais a produção e previnem o ataque de doenças. O objetivo é produzir poucas uvas, mas com qualidade excepcional. Bem, já podemos afirmar que o esforço deu resultado! Já havíamos degustado ambos os ícones e nessa visita ficamos impressionados com o trabalho envolvido!

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Deixamos a recepção em direção ao interior da bodega, para conferir cada estágio da vinificação. A arquitetura impressiona tanto externa quanto internamente. Todo o processo segue por gravidade, e para tanto o edifício conta com seis andares. O vão da escadaria tem a forma elíptica e o arquiteto reproduziu no centro o Pêndulo de Foucault (só que sem o movimento ininterrupto...).

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O Borobo e o Clos Apalta são fermentados utilizando leveduras naturais, em tanques de carvalho. Cada tanque corresponde a uma parcela única do vinhedo. O controle de umidade e temperatura na sala de fermentação tem controle automatizado, liberando vapor d’água quando o ambiente se torna excessivamente seco.

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Os ícones passam por duas mesclas. A primeira é feita após um ano de envelhecimento em barrica. Após outro ano é feita a mescla final. Uma curiosidade: há exemplares magníficos de barricas com 300 anos de idade, que ainda são utilizadas.
A degustação ocorreu na cave. A grande mesa de vidro ocultava uma surpresa: uma de suas extremidades é a porta que leva a um nível inferior, onde fica a enoteca.

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Degustamos os seguintes vinhos:

90% Sauvignon Blanc; 8% Semillon, 2% Sauvignon Gris
O Chile é famoso pela qualidade de seus Sauvignon Blanc, mesmo os mais simples. Esse não foi exceção.
Vinho já pronto para beber, de um amarelo palha brilhante e corpo leve. As notas aromáticas que percebemos com maior intensidade foram minerais, abacaxi e frutas cítricas, além de notas frescas de eucalipto. Acidez e álcool (13,5%) na medida certa, um vinho muito agradável.

85% Merlot; 6% Carmenère; 5% Cabernet Sauvignon; 4% Syrah.

A cor rubi bastante escura e brilhante. Aromas complexos e muito agradáveis, com destaque para frutas vermelhas, especiarias (cravo e pimenta do reino) e uma nuance de chocolate. Na boca, encorpado e com taninos marcantes. Todos concordamos que esses taninos estarão muito mais evoluídos daqui a uns três anos, quando esse vinho premium estará no auge. De acordo com o enólogo Diego, o tempo de guarda é de cerca de 10 anos.

78% Carmenère; 19% Cabernet Sauvignon; 3% Petit Verdot.

Trata-se sem dúvida de um grande vinho. Complexo e muito encorpado. Cor rubi muito escura, no nariz apresentou uma larga variedade de aromas, dos quais destacamos cerejas, violetas, aromas vegetais, um pouco de baunilha e tostado.

As três uvas que compõem esse blend conferem taninos muito marcantes aos vinhos. Isso pode incomodar a princípio, mas por se tratar de um vinho de longa evolução, essa estrutura aliada aos 15% de álcool é necessária para que ele possa desenvolver todo o seu potencial.

Essa degustação não incluiu o outro ícone, Borobo, mas já tivemos a oportunidade de degustá-lo no Brasil. Conversando com o enólogo, ele confirmou nossa impressão de que são dois vinhos de personalidades distintas. O Clos Apalta tem evolução mais lenta, e certamente estará no auge em mais alguns anos. O Borobo é um vinho que pode ser abordado ainda jovem, devido a participação da Pinot Noir no blend.

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O almoço
A Lapostolle está muito bem preparada para receber visitantes. Assim que chegamos pela manhã, nosso pedido para o almoço foi registrado. Ao chegarmos à Casa Parrón, a mesa estava pronta e fomos gentilmente atendidos pelo maitre.

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O local onde fica o restaurante por si só já vale a visita. Em meio ao vinhedo, no vale abaixo da bodega ícone, almoçamos ao ar livre, protegidos do sol pelo belo caramanchão.

Os pratos formaram uma sequência muito bem elaborada de receitas com ingredientes típicos da culinária chilena: abacate, salmão defumado, camarões e quinoa.

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Os vinhos que acompanharam a refeição foram os Cuvée Alexandre Chardonnay e Pinot Noir. Perfeitos para o dia lindo que estava fazendo!


Mas o melhor ainda estava por vir: o gran finale!! Para acompanhar as maravilhosas sobremesas, fomos agraciados com doses do incrível licor Grand Marnier, edição comemorativa de 150 anos.

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Agradecemos a toda a equipe da Casa Lapostolle a experiência maravilhosa que sua hospitalidade nos proporcionou!

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