Idas e Vinhas Wine Club

domingo, 31 de março de 2013

Idas e Vinhas na Estrada – 15/12/2012 parte II – Viña Loma Larga – Valle de Casablanca


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Deixamos a Veramonte (veja aqui) e retomamos a Rota 68 na direção de Casablanca e Valparaíso. O destino ficava 30km à frente: Viña Loma Larga. 

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A vinícola
A Loma Larga é uma vinícola relativamente recente, seguindo o movimento de transformação da vitivinicultura chilena observado na década de 90 do século passado.

Embora a vinícola seja jovem, a família Diaz possui sua história ligada ao vinho. Já na segunda metade do século XIX um antepassado da família trouxe videiras européias e produzia vinho com auxílio de enólogos franceses em uma propriedade onde hoje é uma movimentada rua de Santiago.

A propriedade de Casablanca teve as primeiras videiras plantadas em 1982. Foram castas brancas, obedecendo a tradição dessa região de clima frio. Em 1995 foram iniciados os estudos do solo, e em 1999 pode-se dizer que os vinhedos Loma Larga estavam consolidados.

São 148 ha de vinhedos em uma área total de 511 ha, o que significa que há muito espaço para expandir. A Loma Larga foi pioneira na plantação de castas tintas nesse vale. Graças aos estudos realizados, foram escolhidos quartéis onde Pinot Noir, Syrah, Cabernet Franc, Malbec e Merlot se desenvolvem muito bem. As castas brancas são Sauvignon Blanc e Chardonnay. 
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Interessante observar a diversidade do solo e a importância em estudá-lo para plantar as castas que melhor se adaptam. Aqui na Loma Larga, apenas 8 metros separam dois quartéis de solos totalmente distintos, um destinado à Malbec e outro à Syrah.

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A visita
Quem nos recebeu foi a muito educada e simpática Alejandra Gutiérrez, sommeliére e Gerente de Hospitalidade da Loma Larga.

A primeira sensação que se tem ao chegar é de tranquilidade. O local é extremamente bem cuidado, com belas roseiras e flores por toda a parte, lembrando os Jardins de Monet... As instalações onde ficam a pequena loja e as salas para almoços e degustações são de inspiração campestre, de estilo muito diferente daquelas que apostam em design arrojado e arquitetos da moda.

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Iniciamos a visita com um passeio pelo entorno, e Alejandra explicou a origem do nome da vinícola. Loma Larga significa “Montanha comprida” (tradução livre), uma formação ao redor da qual se espalham os vinhedos. Essa montanha cria uma barreira natural que protege os vinhedos das brisas excessivamente frias que vêm do Sul, permitindo uma grande variação térmica na região (dias quentes e noites frescas). Essa particularidade é que contribui para a identidade dos vinhos de Casablanca.

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A bodega é uma obra de arte à parte. São 2300m2 destinados à produção limitada de 300.000 mil litros de vinho/ano. É uma construção tão integrada à paisagem que em um primeiro momento nem conseguimos distinguí-la. Toda a área pertencia a um antigo parque, e o arquiteto fez um belo trabalho ao projetar a bodega também em forma de montanha. Sobre o teto há uma parcela de videiras de Pinot Noir entremeadas por rosas. Além do efeito muito bonito, “abraçando” a construção, esse tapete verde auxilia no controle de temperatura e umidade da bodega.

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A filosofia aqui é produzir os melhores e mais delicados vinhos, sem pressa. A colheita se inicia com as castas brancas em Março e se estende até junho, quando as castas tintas estão maduras.
A vinificação é feita separadamente, primeiro os brancos, depois os tintos, tudo a seu tempo.

A Loma Larga produz duas linhas de vinhos: a premium Loma Larga e a linha Lomas del Valle. Todas seguindo o estilo francês de vinificar.

Uma particularidade é que os vinhos da linha Lomas del Valle não passam em madeira. Estagiam em tanques de aço por cerca de 8 meses. A intenção é produzir vinhos gastronômicos (para acompanhar as refeições), já prontos para consumo, bastante frescos e frutados.

Já a linha Loma Larga segue um processo diferente, mas sem deixar o estilo francês. Seguindo o estilo Sancerre (região francesa famosa por seus brancos secos e aromáticos), o Sauvignon Blanc estagia cerca de 6 meses em tanques de aço junto com as borras, sendo três meses já na forma do blend final.

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Para manter o frescor, apenas uma parte do Chardonnay Loma Larga passa em barrica por 4 a 6 meses.

Já os tintos Loma Larga estagiam entre 12 a 18 meses antes de serem engarrafados. Esses vinhos só são lançados ao mercado após aproximadamente 1 ano de envelhecimento em garrafa. São vinhos de bom potencial de guarda, mas já prontos mesmo quando jovens.

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Uma particularidade que nos chamou a atenção foi que as barricas para estabilização dos tintos e do Chardonnay da linha Loma Larga são maiores do que as que já tínhamos visto para plena produção. São barricas de 400 a 600 litros, utilizadas até 3 vezes. Isso porque o enólogo Cédric Nicolle busca vinhos que mantenham seu frescor e a identidade do terroir, com menor influência dos aromas e taninos transferidos pela madeira.

A degustação
Degustamos 4 vinhos, dois da linha Lomas del Valle e dois da linha Loma Larga.

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Bastante fresco, esse Sauvignon Blanc não tem tanto maracujá como os outros que degustamos. Tem aromas mais delicados, de flores brancas (jasmim, flor de laranjeira) e notas cítricas. Corpo leve e acidez na medida.

Cor rubi muito bonita. Como não passa em madeira, conserva aromas intensos de frutas vermelhas (framboesas e cerejas) e um agradável frescor de menta. De médio corpo, taninos leves e agradáveis. Muito boa acidez mas um pouco quente (14,5% de álcool).

Excelente exemplar de Cabernet Franc. No nariz é adocicado, há frutas vermelhas em compota, um pouco de tabaco e coco tostado. Ao agitar a taça sobe um leve aroma vegetal. Em boca é encorpado, confirmamos as notas de frutas em compota, os taninos são vivos mas não incomodam, de final longo.

Encorpado e de cor rubi muito escura com reflexos granada, é um vinho bastante complexo. Percebemos grande variedade de aromas, principalmente frutas vermelhas (cassis e ameixas, toques florais (violeta), pimenta e um certo mineral. Café e tostado, provenientes da passagem em madeira, estavam presentes mas muito delicados. Taninos muito agradáveis e final longo.

Embora não tenhamos degustado o ícone Rapsodia, garantimos um exemplar na loja ao sairmos para o próximo destino: Viña Emiliana.

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