Idas e Vinhas Wine Club

sábado, 5 de janeiro de 2013

Idas e Vinhas na estrada – 10/12/2012 - Viña von Siebenthal – Valle de Aconcagua


A região:
sub-região do Valle de Aconcagua, pertence à região vitícola de mesmo nome, tem início a zona central chilena, onde se origina a esmagadora quantidade dos vinhos do país, além dos mais conceituados. Situa-se na latitude 32ºS, tendo clima mediterrâneo, com pluviosidade de 250 a 300 mm anuais, exigindo irrigação com águas do rio Aconcagua.





As vinícolas que se destacam nesta região são a Errazuriz, a von Siebenthal e a San Esteban.

A Viña von Siebenthal está localizada a 102 km de Santiago e para chegar a ela, deixa-se Santiago pela Rota Panamericana (que segue o caminho direto até o Peru). Passa-se pela Zona de Llaillay (que recebe muitos ventos vindos do Oceano Pacífico) e por uma zona de intensa fruticultura (laranjas, cerejas, abacate, pomelo...).
A caminho do Valle do Aconcagua
 A visita:
Ao chegar aos portões logo percebe-se que se trata de uma vinícola de boutique pois ela é elegantemente pequena. O entorno também é lindo, com as videiras se espalhando pelo vale e pelas encostas.

Chegamos às 10h30 da manhã, bastante animados para o dia que prometia ser especial. Um dia de sol muito bonito, e a expectativa de provar alguns dos vinhos mais exclusivos e caros do Chile...

Quem nos atendeu foi a relações públicas da vinícola, Soledade La Torre e Darwin Oyarce (assistente do enólogo Stefano Gandolini). Fomos muito bem recebidos, Soledade tem profundo conhecimento do funcionamento da vinícola e respondeu atenciosamente a todas as nossas perguntas.

Vocês conhece aquela história de um grupo de amigos que se reuniam para degustar bons vinhos? Pois é, o advogado suíço Mauro von Siebenthal foi mais longe. Em 1998, contando com o apoio financeiro de quatro amigos, colocou em prática o seu projeto de mais de 20 anos de estudos e deu origem a Viña von Siebenthal. A bodega segue o estilo arquitetônico colonial chileno, enquanto a tecnologia de vinificação segue os moldes dos Chateaux de Bordeaux, e por isso é considerada uma das vinícolas mais “francesas” do Chile.

Os vinhedos Siebenthal localizam-se em solos arenosos, argilosos e pedregosos, onde as rochas ainda não completaram o processo de compactação. Essa descompactação faz com que a drenagem seja muito eficiente e o solo, pobre, produz vinhas de grande qualidade.

A propriedade conta com 32 ha e cultiva Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot, Carmenère, Shiraz e Viognier.

O curioso é que o clima e solo do Aconcagua é propicio para o cultivo de cepas tintas mas após estudos Mauro decidiu apostar na Viognier e plantou 1 ha da cepa que necessita basicamente das mesmas condições de solo e clima das tintas. A primeira colheita (em 2012) foi excelente. Cada pé produziu entre 14 e 15 cachos de uvas, mas para a produção de vinho de qualidade, foi reduzido a 4 cachos por planta.

De acordo com o Darwin, a filosofia da von Siebenthal é preservar a identidade e a qualidade de seus vinhos.

Os vinhos premium e os ícones possuem produção limitada e as garrafas dos ícones e do premium Montelìg são numeradas. Os vinhos produzidos pela vinícola são os seguintes:


Tatay de Cristobal (Ícone): Primeira safra: 2005 – Carmenère 90% e Petit Verdot 10% / 21 meses em carvalho francês novo / 1,05 kg por videira.

O terremoto de alta magnitude que atingiu o Chile em 2008 danificou as barricas onde o Tatay estava evoluindo, e por isso o vinho não foi lançado naquele ano.

Toknar (Ícone): Primeira safra: 2005 – 100% Petit Verdot / 24 meses em carvalho francês / 1,2 kg por videira.

Montelìg (Premium): Cabernet Sauvignon 40%, Petit Verdot 30% e Carmenère 30% / 24 meses em carvalho francês novo / 1,2 kg por videira.

Carabantes (Premium): Syrah 85%, Cabernet. Sauvignon 10% e Petit Verdot 5% / 14 meses em carvalho francês novo / 1,4 kg por videira.

Carmenère (Gran Reserva): Carmenère 85% e Cabernet Sauvignon 15% / 10 meses em carvalho americano / 1,48Kg por videira.

Parcela #7 (Gran Reserva): Cabernet Sauvignon 40%, Merlot 35%, Petit Verdot 10% e 15% C. Franc / 10 meses em carvalho americano e francês / 1,4 kg por videira.

Rococó (Rosè): Novidade da vinícola, um rosé feito a partir de várias cepas, de caráter frutado e leve, lançado para o verão.

A capacidade atual de produção da vinícola está em torno de 200 mil garrafas.

Todos os rótulos estagiam em madeira e todos ficam pelo menos 6 meses nas garrafas antes da comercialização. Os vinhos da categoria premium ficam 2 anos em barricas novas francesas e depois mais dois anos em garrafa.

Os vinhos da linha gran reserva (Carmenère e Parcela 7) ficam entre 8 e 10 meses em barrica.

A linha gran reserva é engarrafada com rolhas sintéticas norteamericanas. Tempo de guarda estimado em 7 a 8 anos.

Os ícones Tatay e Toknar tem tempo estimado de guarda de 25 anos e o Carabantes de 15 anos.

Os principais mercados dos vinhos Siebenthal são o Chile, o Brasil, os Estados Unidos, seguidos por mais 22 países. Para uma vinícola cuja ideia inicial era produzir apenas um vinho, pode-se ver que o projeto do Mauro foi muito mais longe!

A degustação:
A mesa de degustação, elegante e cuidadosamente preparada (incluindo água e biscoitinhos) nos agradou, pois Soledade selecionou o ícone Toknar e o premium Montelìg. Darwin Oyarce, o assistente do enólogo, conduziu a degustação sem pressa, esclarecendo nossas dúvidas.
Soledade La Torre e os vinhos von Siebenthal

Toknar 2007: cor rubi intensa, aromas de frutas negras, menta, café, nozes, tomilho e notas minerais. Na boca é concentrado, encorpado, confirmando as frutas negras maduras e os 24 meses de estágio em carvalho francês. Os taninos são fortes mas não chegam a atrapalhar e a acidez está perfeita. É um vinho que tem muitos anos de vida pela frente e só tende a melhorar.






Montelig 2007: cor rubi, aromas de cassis, pimenta do reino, menta e chocolate. Na boca apresenta bom corpo, os taninos ainda são jovens e o retrogosto é longo. Também é um vinho de longa guarda e que estará espetacular em 2018 ou 2020.







Foi o início promissor do que se revelaria uma maratona enológica que nos proporcionou muito conhecimento e momentos inesquecíveis!

Um brinde ao início da nossa maratona enológica pelo Chile!

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